O documentário desta semana está relacionado à palavra chave“reciclagem” e tentaremos dentro do texto abordar seu significado.
O texto lido pelos alunos em sala de aula “Design: Obstáculo para a remoção de obstáculos” é parte integrante do livro “O Mundo Codificado” do filósofo Vilém Flusser nascido na cidade de Praga. No livro O Mundo Codificado, o autor faz uma análise das transformações que ocorreram e continuam acontecendo com nós seres humanos em partir dos códigos de comunicação usados. Após a leitura do texto, o professor Frederico iniciou a discussão com os alunos e pudemos entender que Flusser dá ênfase às noções e conceitos do que é “objeto” apontando os diferentes enfoques no seu processo de produção e sua interação com o homem. Sobre a lógica de Flusser a interferência do objeto na vida das pessoas já começa na fase de concepção das idéias. Como Flusser cita o objeto na sua origem, inclusive em latim, quer dizer “obstáculo” e ele próprio é usado para retirar os obstáculos; o que mostra a amplitude da utilização do objeto. Além disso, de acordo com Flusser o objeto ultrapassa o aspecto funcional e passa a ser um elo entre as pessoas, ele não é apenas usado pelo seu projetista.
Durante a aula o professor Frederico usou de vários exemplos para explicar as idéias do autor, assim concluímos que os objetos de uso são ao mesmo tempo, solução e obstáculo, e como a cultura tende a se tornar “objetiva, objetal e problemática”. Segundo Vilém Flusser, a problemática do design é que todo objeto criado pelo homem visa resolver um problema, porém acabam criando novos problemas, novos obstáculos.
No transcorrer do texto vimos que Flusser cria um fluxo de consciência onde parar para refletir é essencial.
Segundo o professor Frederico o design tem tudo a ver com o uso que se faz, ou seja, o design só existe quando há mudança de uso. Há objetos que são categorizados pelo senso comum como tipicamente design, mas quando estão dentro de um museu ou atrás de uma vitrine mudam sua função. Passaram a ter um uso mais próximo de uma obra de arte num museu, como o exemplo do vaso sanitário exposto em um museu, citado pelo nosso colega Uelington. Dando sequência, outro ponto abordado no texto de Flusser passa pelo objeto imaterial. Interpretamos que o objeto imaterial interliga-se a uma nova liberdade, na qual o uso depende da concepção do objeto, mas não de sua existência concreta. Essa situação incita a idéia de interferência pessoal, pois algo imaterial não pode gerar influência direta a alguém, porém ao mesmo tempo pode restringir a liberdade alheia. Como o exemplo citado pelo professor em relação à internet (sites), sob a perspectiva do autor redes de comunicação e programas de computador são objetos, mas imateriais, há uma mediação entre “eu e o outro”.
Ao contrário do que se buscou desde o Renascimento até agora, o design responsável volta-se para a intersubjetividade, com a consequente ampliação da liberdade entre o usuário e o objeto; e a preocupação com o fim que o produto terá. É justamente esse método , que Flusser defende como eficaz para diminuir os empecilhos, sem que para isso o caminho do outro seja obstruído. Todo objeto tende a perder sua forma porque uma hora ele vai ser descartado e as formas mudam porque os objetos podem ser utilizados de outra maneira. Neste momento o professor Frederico comenta que de acordo com o texto, Flusser já expunha pensamentos sobre a questão “reciclagem”.
Refletindo sobre as discussões durante a aula, percebemos que o autor defende a criação de objetos que não sejam limitados como obstáculos ou ferramentas para retirá-los, mas que possam exercer ambas as funções e muitas outras, o que acontece freqüentemente, mas nem sempre. Existem alguns objetos com funções limitadas e que após um tempo se tornam um problema para todos os usuários à sua volta.
Como conclusão entende-se que o texto de Flusser discute as possibilidades de uma revisão do papel do arquiteto: usualmente orientado para o design de produtos, ele pode voltar-se ao design de instrumentos para processos nos quais o usuário se torna produtor do seu próprio espaço. Para ele, a maioria dos designs é criada irresponsavelmente, ou seja, o designer se ocupa do objeto, em vez da possibilidade de abertura às pessoas. As funções da criação não dependem somente da sua existência ou mesmo da idéia do próprio criador, mas essencialmente da maneira como os usuários vão lidar com ela.
Baseado no texto nota-se então a importância de pensar não somente na utilidade imediata, mas em como produzir algo que, ao invés de transformar-se logo em obstáculo, pode ser usado por outros que ainda passarão pelo caminho. É preciso atuar estrategicamente e não apenas operacionalmente. É necessário Repensar, Reduzir, Reutilizar, Recusar e Reciclar. Sites indicados
1 Design E-é Arte (Mônica Moura)
http://www.scribd.com/doc/7396224/Design-Ee-Arte-Monica-Moura
2 Design e Indústria Cultural
http://www.reveladesign.com.br/oficinas.html
3 Rafael Cardoso: "O design tende a se afastar da materialidade" http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=450
4 Ecodesign http://www.fiesp.com.br/download/publicacoes_meio_ambiente/apres_cyntia_malaguti.pdf
5 http://www.interact.com.pt/interact10/ensaio/ensaio3.html
6 http://www.vemprabrotas.com.br/pcastro5/campanas/campanas.htm
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