Quando pensamos em cemitério logo vem em nossa mente a idéia de morte, de fim, ali, no fundo da sepultura termina a vida, a alegria, a tristeza, a angústia, ali se inicia o nosso descanso eterno, onde nosso corpo será guardado, como algo precioso, como uma relíquia a ser preservada em um pedaço de chão com um monte de ossos que um dia teve uma história e fez parte de um contexto social, político e econômico.
O desejo de guardar algo que um dia fez parte nossa vida sempre esteve presente na sociedade. Durante o século XIX, momento grande transformação gerada pela Revolução Industrial, as pessoas com medo de perder suas raízes, sua história, seus parâmetros e referenciais, criavam espaços onde a tradição e a história seriam preservados como algo muito precioso.
Do mesmo jeito que são as casas de nossos avós, cheio de fotos e objetos que contam sua história, o interior burguês se torna um modo ilusório, um abrigo. O exterior se torna uma ameaça, por causa da sua evolução. O aparecimento de novos materiais nas fachada e a transformação do modo de vida das pessoas, fazem com que elas transfigurem o objeto em uma coisa sua, e sua casa se torna um “cemitério” guardando coisas que nunca vão ser usadas, apenas mostradas, tirando o seu valor de troca.
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