Can Dialectics Break Bricks?

sábado, 19 de maio de 2007

[d09] - Marcel Duchamp [paris-zurique-new york] + [1887-1968]

documentarista: renata
conceito: cheque em branco
texto: os embreantes
autor: anne cauquellin

Existe uma ruptura entre os modelos da arte moderna e os da arte contemporânea, o primeiro pertencente ao regime de consumo e o segundo ao regime da comunicação. Vários indícios permitiam antever a chegada do novo estado de coisas(comunicação), o movimento de ruptura está a cargo o mais das vezes de figuras singulares, de práticas, que anunciam uma nova realidade. Essas figuras que revelam os indícios serão chamadas de “embreantes”.
Marcel Duchamp pode ser caracterizado como embreante, sua influência sobre a arte contemporânea cresce à medida que os anos passam. Nasceu na época em que o cinema começou a ser inventado, seu avô era dono de gráficas onde se reproduziam jornais, portanto Duchamp tinha uma proximidade com os meios de reprodução técnica. Isso de alguma forma interferiu na forma com que ele fazia arte. Ele expressa um modelo de comportamento singular que corresponde às expectativas contemporâneas, não por causa do conteúdo da sua obra mais pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime de arte e também a divulgação dele. As posições seguintes que funcionam como atrativo de Duchamp:
· A distinção entre a esfera da arte e a esfera da estética.
A estética é o ramo da ciência e da filosofia que se ocupa a dizer como é que as pessoas entendem sensivelmente as coisas do mundo. A estética mostra o conteúdo da obra e seu valor em si, a arte como uma esfera de atividades entre outras sem a necessidade de seu conteúdo. Isso é arte não porque as pessoas se sensibilizam com isso e sim porque está no museu.
· A indistinção dos papéis.
O papel dos artistas não são mais pré-estabelecidos. Todos os papéis(produtores, intermediários e consumidores) podem ser desempenhados ao mesmo tempo. O percurso não é mais linear, e sim circular.
O percurso linear começa no artista e termina no comprador: o quadro é pintado, entregue para a galeria, exposto no museu, alguém compra e leva para a casa. No percuso circular todos os papéis se misturam: Duchamp escolhe um mictório, o coloca no museu com a assinatura R.Mutt, leva-o para um concurso, onde diz que é obra de arte e é colocado no museu. O mictório só tem valor no museu. O consumidor e o produtor são todas as pessoas que observam no museu, Duchamp, avaliadores da banca, etc.
· O sistema da arte é organizado em rede.
A arte é um objeto de consumo. A arte era um objeto que fazia parte da vida das pessoas, agora a pessoa pode compra-la, a arte é mercadoria A arte não é mais uma esfera que está em conflito com as outras ou que está criticando, pois ela é uma mercadoria. Como que se faz uma arte que critica a capitalização do mundo sendo que ela vale 1000 reais?
· A arte como linguagem.
A arte é um sistema de signos, a realidade transmitida por meio deles é construída pela linguagem => Cinema. A arte não é mais emoção, ela é pensada, o observador e o observado estão unidos por essa construção.

Esses quatro pontos não eram perceptíveis logo de início, entravam em conflito com o regime ‘moderno’ dominante e traziam uma carga de oposição
pesada. De um lado as obras de Duchamp não apresentavam um caráter estético que suscitasse um julgamento de gosto (o mictório não era questão de gosto, mas é arte), de outro elas eram imperceptíveis( sabe que existe porque está no museu, fora dele é imperceptível).
Para fazer justiça à novidade delas, devemos, pois, proceder, não à análise termo a termo das obras, mas ao posicionamento da atitude de Duchamp.

A distinção estética/arte
a) A ruptura.
Duchamp era cercado de pintores, poetas e escritores, participou do movimento surrealista e cubista. Uma passagem por Munique, na Alemanha, em 1912, e pelo movimento dada isolaram-no. Duchamp rompe com a prática estética da pintura: ele se declara ‘antiartista’. A arte não é mais para ele uma questão de conteúdos(cores, formas), mas de continente. A obra tem valor quando está no museu, assim ela é arte; fora do museu ela perde seu valor.
b) Os ready-mades
Duchamp é o responsável pelo conceito de ready made, a saber, o trasporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fontaine está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido. Ele faz notar que apenas o lugar de exposição torna esses objetos obra de arte. É ele que dá o valor estético de um objeto, por menos estético que ele seja.
Em relação à obra, ela pode então ser qualquer coisa, mas numa hora determinada. O valor mudou de lugar: está agora relacionado ao lugar e ao tempo, desertou o próprio objeto. O valo dentro de uma indústria da arte. Nesse caso, o autor é apenas aquele que mostra.
c) O acaso e a escolha
O ready-made, encontrado por acaso, escolhido e reservado, indica o estado da arte em um momento determinado. Objeto > Espaço > Tempo. Ele tem relação com a totalidade dos acontecimentos da arte, em nenhum momento é uma obra à parte, uma obra em sim dotada de valor estético; é um indicador dentro de um sistema.

O transformador Duchamp
Vale a pena ressaltar que a obra de Duchamp deixou um legado importante para as experimentações artísticas subseqüentes, tais como o
Dadaísmo, o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato, a Arte Conceitual, o minimalismo, a pop art, as instalções, até mesmo os happenings que ele tanto apreciava. Muitos dos artistas identificados com essas tendências prestaram tributo a Duchamp. A esfera da arte se articula com a era da comunicação. Essas articulações foram citadas anteriormente.
O modelo Duchamp oferece a única imagem possível de um exercício da Arte em um sistema que já começa a ser aplicado, o da comunicação.


Biografias


Roland Barthes

(Cherbourg, 12 de Novembro de 1915Paris, 26 de Março de 1980)
Roland Barthes foi um
escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS.
Barthes usou a análise
semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, . Principais Obras
O grau Zero da Escrita (
1953)
Mitologias (
1957)
Elementos da Semiologia (
1965)
O sistema da moda (
1967)
S/Z (
1970)
Roland Barthes por Roland Barthes (
1975)
Fragmentos de um Discurso Amoroso (
1977)
A câmara clara (
1980)


. Roland Barthes por Roland Barthes (1975)
Pela dificuldade em ser classificado, quando de seu lançamento (1975 na França, 1977 no Brasil), Roland Barthes por Roland Barthes acabou sendo definido pelo que não era: nem uma autobiografia nem um livro de “confissões” (embora com muitos elementos de um e de outro). Afinal, a primeira frase, manuscrita, do livro é que “Tudo isto deve ser considerado como dito por um personagem de romance”.
Compondo o livro por fragmentos, Barthes deu-se a oportunidade de ser levado apenas por sua imaginação e pelo gosto da escrita. Daí surgem evocações de sua infância e juventude, reflexões sobre suas experiências de vida, sobre seus autores e leituras preferidas, sobre seu trabalho teórico, sobre utopias, sobre ficção e teatro, sobre a linguagem, sobre as palavras...
“Escrever por fragmentos: os fragmentos são então pedras sobre o contorno do círculo: espalho-me à roda: todo o meu pequeno universo em migalhas; no centro, o quê?” No centro está um retrato em múltiplas dimensões do próprio Barthes que esclarece o projeto de um dos mais criativos e interessantes intelectuais de nosso tempo.
Trechos
“Toda lei que oprime um discurso é insuficientemente fundamentada.” (p. 44)
“Muitos textos de vanguarda (ainda não publicados) são incertos: como julgá-los, retê-los, como predizer-lhes um futuro, imediato ou longínquo? Eles agradam? Aborrecem? Sua qualidade evidente é de ordem intencional: eles se apressam a servir à teoria. No entanto, essa qualidade é também uma chantagem (uma chantagem à teoria): goste de mim, guarde-me, defenda-me, já que eu sou conforme à teoria que você reclama; não estou fazendo o que fizeram Artaud, Cage, etc.? – Mas Artaud não é somente ‘vanguarda’; é também escritura; Cage tem também sedução...” (p. 67)
“Para que serve a utopia? Para fazer sentido. [...] A utopia é familiar ao escritor, porque o escritor é um doador de sentido: sua tarefa (ou seu gozo) consiste em dar sentidos, nomes, e ele só o pode fazer se houver paradigma, desencadeamento do sim/não, alternância de dois valores: para ele, o mundo é uma medalha, uma moeda, uma dupla superfície de leitura, cujo avesso é ocupado por sua própria realidade e cujo direito, pela utopia.” (p. 91)
“A elipse, figura mal conhecida, é perturbadora pelo fato de representar a assustadora liberdade da linguagem [...]” (p. 93)
“Utopia (à moda de Fourier): a de um mundo onde só houvesse diferenças, de modo que diferenciar-se não seria mais excluir-se.” (p. 99)
“Escrever por fragmentos: os fragmentos são então pedras sobre o contorno do círculo: espalho-me à roda: todo o meu pequeno universo em migalhas; no centro, o quê?” (p. 108)
“Comentar-me? Que tédio! Eu não tinha outra solução a não ser a de me re-escrever – de longe, de muito longe – de agora: acrescentar aos livros, aos temas, às lembranças, aos textos, uma outra enunciação, sem saber jamais se é de meu passado ou de meu presente que falo. Lanço assim sobre a obra escrita, sobre o corpo e o corpus passados, tocando-os de leve, uma espécide de patchwork, uma coberta rapsódica feita de quadrados costurados. Longe de aprofundar, permaneço na superfície, porque desta vez se trata de ‘mim’ do Eu) e porque a profundidade pertence aos outros.” (p. 160)

Michel Foucault

(Poitiers, 15 de outubro de 1926Paris, 26 de junho de 1984)
Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926. Filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.
Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite.
Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio. Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne.
Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970. Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".
Aos 28 anos Publicou Maladie Mentale et Psychologie (1954; Doença Mental e Psicologia), mas foi com Histoire de la Folie à l’âge Classique (1961; História da Loucura), sua tese de doutorado na Sorbone, que firmou-se como Filósofo. Neste livro, analisou as práticas dos séculos XVII e XVIII que levaram à exclusão do convívio social dos "desprovidos de razão". Foucault preferia ser chamado de "arqueólogo", dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura - arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses,1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber).
Surveiller et punir (1975; Vigiar e Punir) é um amplo estudo sobre a disciplina na sociedade moderna, para ele, "uma técnica de produção de corpos dóceis". O instinto da prisão teria por objetivo o marginal do proletariado e assim reduzir a solidariedade e o processo da classe inferior; confinando as ilegalidades da classe dominada, sobreviveriam mais facilmente às ilegalidades da classe dominante. Foucault analisou os processos disciplinares empregados nas prisões, considerando-os exemplos da imposição, às pessoas, e padrões "normais" de conduta estabelecida pelas ciências sociais. A partir desse trabalho, explicitou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição. Assim, é possível lutar contra a dominação representada por certos padrões de pensamento e comportamento sendo, no entanto impossível escapar completamente a todas e quaisquer relações de poder. Em seus escritos sobre medicina, Foucault criticou a psiquiatria e a psicanálise tradicionais.
Deixou inacabado seu mais ambicioso projeto, Historie de la Sexualité (História da Sexualidade), que pretende mostrar como a sociedade ocidental faz do sexo um instrumento de poder, não por meio da repressão, mas da expressão. O primeiro dos seis volumes anunciados foi publicado em 1976 sob o título La Volonté de Savoir (1976; A Vontade de Saber) e despertou duras críticas. Em 1984, pouco antes de morrer, publicou outros dois volumes, rompendo um silêncio de oito anos: L’Usage des plaisirs (O uso dos prazeres), que analisa a sexualidade na Grécia Antiga e Le souci de soi (O cuidado de Si), que trata da Roma Antiga.
Foucault teve vários contatos com diversos movimentos políticos. Engajou-se nas disputas políticas nas Guerras do Irã e da Turquia. O Japão é também um local de discussão para Foucault. Várias vezes esteve no Brasil, onde realizou conferências e firmou amizades como a de Roberto Machado. Foi no Brasil que pronunciou as importantes conferências sobre A verdade e as formas jurídicas, na PUC do Rio de Janeiro. Os Estados Unidos atraem Foucault em função do apoio à liberdade intelectual e em função de São Francisco, cidade onde Foucault pode vivenciar algumas experiências marcantes em sua vida pessoal no que diz respeito à sua sexualidade. Berkeley torna-se um pólo de contato entre Foucault e os Estados Unidos. Definitivamente, Foucault sentia-se em casa nos EUA.
Em junho de 1984, em função de complicadores provocados pela AIDS, Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25. Discutido e estudado por várias áreas do saber, Foucault mostra-se como um pensador arrojado, um intelectual que, preocupado com o presente em que se encontra inserido, percorre os saberes em busca de uma crítica que subverta os esquemas de saberes e práticas que nos subjugam.
. Principais Obras
Doença Mental e Psicologia,
1954;
História da loucura na idade clássica,
1961;
Nascimento da clínica,
1963;
As palavras e as coisas,
1966;
Arqueologia do saber,
1969;
Vigiar e punir,
1975;
História da sexualidade:
A vontade de saber,
1976;
O uso dos prazeres,
1984;
O Cuidado de Si,
1984;
Ditos e escritos,
2006;
A vontade de saber; (
1970-1971)
Teorias e instituições penais"; (
1971-1972)
A sociedade punitiva; (
1972-1973)
O poder psiquiátrico; (
1973-1974)
Os anormais; (
1974-1975)
Em defesa da sociedade; (
1975-1976)
Segurança, território e população; (
1977-1978)
Nascimento da biopolítica; (
1978-1979)
Do governo dos vivos; (
1979-1980)
Subjetividade e verdade; (
1980-1981)
A hermenêutica do sujeito; (
1981-1982)
Le gouvernement de soi et des autres; (
1983)
Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité (
1984)
A Verdade e as Formas Juridicas ' (
1996)

Ludwig Joseph Johann Wittgenstein

(26 de Abril de 1889; 29 de Abril de 1951)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein nasceu em
Viena em 26 de Abril de 1889, filho de Karl e Leopoldine Wittgenstein. Ele era o mais novo de oito filhos, nascendo em uma das famílias mais ricas do Império Austro-Húngaro. Os seus avós, Hermann Christian e Fanny Wittgenstein eram de família judia, mas se converteram ao Protestantismo, a depois que se mudaram para da Saxônia para Viena no início da segunda metade do século XIX, inseriram-se no ambiente protestante de Viena. O pai de Ludwig, Karl Wittgenstein, tornou-se um industrial proeminente, fazendo fortuna com ferro e aço. A mãe de Ludwig, Leopoldine, também era de ascendência judia pelo lado paterno da família, mas foi educada segundo práticas da Igreja Católica. Ludwig, assim como todos seus irmãos e irmãs, foi batizado como um católico.
Ludwig cresceu em um ambiente doméstico que proporcionava uma vida artística e intelectual bastante intensa. Seus pais eram ambos bastante interessados em música, e todos os seus filhos eram dotados artísticamente e intelectualmente. Karl Wittgenstein fora inclusive um grande "
mecenas" e patrono das artes, e diversos artistas e eruditos frequentavam a sua residência — principalmente músicos. A família era constantemente visitada por artistas de renome como Johannes Brahms e Gustav Mahler. Um dos irmãos de Ludwig, Paul Wittgenstein, tornou-se um habilidoso pianista de renome internacional, mesmo após perder a mão direita na 1ª Guerra Mundial. Apesar de Ludwig não ter demonstrado nenhum talento musical, sua devoção e gosto à música permaneceu importante durante toda sua vida — e ele fazia frequentemente metáforas e exemplos relacionados à música em seus escritos filosóficos. Outra característica - um tanto quanto negativa - da família era a tendência à intensa auto-crítica e pessimismo, chegando ao ponto da depressão e mesmo de tendências suicidas. Três de seus quatro irmãos cometeram suicídio.
Até
1903, Ludwig foi educado em casa; após este período, estudou por três anos na Realschule em Linz, uma escola que dava ênfase a disciplinas técnicas. Adolf Hitler foi um estudande desta escola no mesmo período, e os dois, com 14 e 15 anos respectivamente, podem ser vistos em uma fotografia escolar, juntos com outros 40 estudantes. 1. Ludwig se interessava por Física e queria estudar com Ludwig Boltzmann, cuja coleção de escritos populares foram publicados na época (1905). Boltzmann, contudo, cometeu suicídio em 1906.
Em
1906, Wittgenstein inicia seus estudos de Engenharia Mecânica em Berlim, e em 1908 ingressa na Universidade de Manchester para iniciar seu Doutoramento em Engenharia, estando repleto de planos e idéias relacionadas à engenharia aeronautica. Ele se registrou como um estudante pesquisador em um laboratório de engenharia, onde conduziu pesquisas a respeito do comportamento de pipas na atmosfera terrestre, e trabalhou no design de um motor à jato. Durante sua pesquisa em Manchester, tornou-se interessado nos fundamentos da matemática, particularmente depois de ler Princípios da Matemática de Bertrand Russell e Grundgesetze, de Gottlob Frege. No verão de 1911, Wittgenstein visitou Frege, depois de ter se correspondido com ele por algum tempo, e Frege recomendou que ele fosse à Universidade de Cambridge estudar com Russell.
Em
Outubro de 1911, Wittgenstein chegou - sem ser anunciado - às classes de Russel no Trinity College, e em pouco tempo estava tendo leituras e discussões filosóficas de grande complexidade com ele. Ele causou uma forte impressão em Russell e em G. E. Moore, e começou a trabalhar nas fundações da lógica e da lógica matemática. Russell estava gradativamente mais fatigado com a filosofia, e via em Wittgenstein um sucessor que daria continuidade a seu trabalho. Durante este período, outros interesses de Wittgenstein foram música e viagens, normalmente na companhia de David Pinsent, um estudante que tornou-se seu amigo íntimo.
Em 1913, seu pai morre e Wittgenstein herda uma grande fortuna. Contudo, em pouco tempo Wittgenstein desfaze-se dela, doando - inicialmente anônimamente - boa parte dela para artistas e escritores austríacos, incluindo
Rainer Maria Rilke e Georg Trakl. Em 1914 Wittgenstein viajou para visitar Trakl, pois este demonstrara a tempos a vontade de conhecer seu benfeitor, mas Trakl se suicidara dias antes da chegada dele.
Apesar de estar extremamente concentrado em seus estudos em Cambridge e nas conversas com Russell, Wittgenstein sentia que não podia chegar à raiz das questões fundamentais que buscava, enquanto estivesse cercado por outros acadêmicos. Em 1913, partiu para a filosofar solitário em uma cabana remota em Skjolden,
Noruega, que era de difícil acesso. O isolamento proporcionou a ele devoção completa a seu trabalho, e posteriormente ele veria este período como o mais produtivo de sua vida. Enquanto estava lá, ele escreveu uma obra inovadora no campo dos fundamentos da lógica, um livro intitulado Logik, que foi o antecessor imediato do Filósofo austríaco considerado um dos mais influentes do século XX [1], contribuiu com inovações nos campos da lógica, filosofia da linguagem e filosofia da mente. Apesar da grande quantidade de seus escritos ter sido publicada após sua morte, em vida publicou apenas um livro filosófico: o Tractatus Logico-Philosophicus, em 1921. Os primeiros trabalhos de Wittgenstein foram marcados pelas idéias de Arthur Schopenhauer, assim como pelos novos sistemas de lógica idealizados por Bertrand Russel e Gottlob Frege. Quando o Tractatus foi publicado, influenciou profundamente os positivistas do Círculo de Viena. Contudo, Wittgenstein não se considerava como parte da escola e alegava que os positivistas lógicos do Círculo de Viena não entenderam o Tractatus.
Wittgenstein planejava com o Tractatus resolver de vez os problemas da filosofia - ou, como alguns dizem, pretendia "matar a filosofia". Acreditando ter cumprido seu objetivo, e - profundamente influenciado pelas idéias cristãs de
Leon Tolstoi, as quais Wittgenstein conhecera durante a 1ª Guerra Mundial - abandonou sua vida acadêmica propriamente dita, trabalhando como professor primário em vilas pobres da Áustria e como jardineiro em um mosteiro, além de arquitetar, junto com Paul Engelmann, a planta de uma casa em Viena para uma de suas irmãs. Entretanto, em 1929, ele retorna à Cambridge, conquistando seu doutoramento e passando a se dedicar a uma continuação do Tractatus - que Wittgenstein percebera não ter resolvido de vez os problemas da filosofia -, preparando o que chamou de anti-filosofia, tentando resolver de vez, os problemas da filosofia, e escrevendo as Investigações Filosóficas, que tiveram publicação póstuma, em 1953. Apesar de muitos dividirem o pensamento de Wittgenstein entre o "Wittgenstein Primeiro", do Tractatus, e o "Novo Wittgenstein", dos pensamentos posteriores, isto é uma meia verdade. Apesar de existirem várias concepções diferentes entre seu pensamento posterior ao Tractatus, o próprio Wittgenstein diz no prefácio das Investigações Filosóficas que esta não se trata de uma nova filosofia dele, e sim de um continuação, um complemento de seu pensamento já iniciado no Tractatus, sendo que o primeiro não pode ser compreendido em sua totalidade sem o segundo.
Tanto seus primeiros trabalhos quanto os posteriores foram profundamente influenciados pela
filosofia analítica. Antigos estudantes e colegas que adotaram as concepções de Wittgenstein incluem Gilbert Ryle, Friedrich Waismann, Norman Malcom, G. E. M. Anscombe, Rush Rhees, Georg Henrik von Wright e Peter Geach. Filósofos contemporâneos profundamente influenciados por ele incluem Michael Dummett, Peter Hacker, Stanley Cavell, Cora Diamond e James F. Conant. Os últimos três são normalmente associados ao que comumente chamam de "Novo Wittgenstein".

Anne Cauquelin

Doutora e professora emérita de filosofia da Université de Picardie, na França,Anne Cauquelin é autora de ensaios sobre arte e filosofia, dos quais se destacam Arte contemporânea (Martins) e Aristóteles (Jorge Zahar), e dos romances Potamor e Les prisons de César. É redatora-chefe da revista Revue d’Esthétique e artista plástica.

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[colóquio estéticas do deslocamento]

[d08] - Marcel Duchamp [paris-zurique-new york] + [1887-1968]

documentarista: fabiana
conceito: fruição
texto: a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica
autor: walter benjamin

À obra de arte pode-se agregar dois valores distintos: o valor da obra como objeto de culto e o seu valor de exposição.
No valor de culto a produção da obra de arte está direcionada à magia, aos rituais. Assim, esta pode ter importância mesmo que não esteja exposta. Esta forma de valorização da obra está diretamente relacionada ao cotidiano das pessoas, ou seja, o valor agregado a um determinado objeto é dado a partir da presença do mesmo na vida das pessoas.
Mas à medida que as obras de arte são expostas elas conseqüentemente perdem o seu valor de culto.
É diante das novas técnicas de reprodução que a obra de arte ganha um outro valor: o de exposição. Neste, a sua reprodução permite a circulação da obra despertando nas pessoas o desejo de posse. Assim, a função do objeto não é mais de culto, mas sim uma função artística, cujo destino é o mercado.
A fotografia fortalece ainda mais o valor expositivo da obra de arte, mas valor de culto ainda pode ser compreendido na figura do rosto humano já que no retrato é praticado o culto da lembrança. A fotografia sem a figura humana não é considerada uma obra de arte, somente uma forma de documentar.
Com a fotografia há uma mudança no modo de percepção da arte. Ela permite que qualquer obra seja contemplada através do papel diminuindo a distancia geográfica entre o expectador e a obra.Ou seja, ela transforma a obra de arte em um fenômeno de massa, pois a retira de seu lugar original retira sua historicidade.
As técnicas de reprodução da arte também modificam a atitude da massa diante de uma obra de arte. O seu comportamento é medido pelo conhecimento ou vivencia da massa diante de determinada obra. Há uma ligação social entre a arte e o público que pode comprometer significamente à fruição da obra.
Com o cinema o valor de culto de uma obra de arte desaparece por completo, já que o cinema foi desde o início destinado às massas e ao mercado. É da massa que surgem as novas atitudes diante de uma obra de arte e assim a quantidade tornou-se qualidade. É um conceito coletivo, uma experimentação coletiva da arte que possui conseqüências sociais e políticas. Pode- se facilmente separar o espírito crítico da fruição da obra. As massas buscavam diversão mas a arte exige recolhimento.

Diversão e recolhimento possuem conceitos distintos. Diante de uma obra de arte é necessário o recolhimento para ser envolvido pela arte ao contrário da diversão onde a obra penetra na massa.
A arquitetura é uma das obras de arte mais antiga, já que desde a Pré- história o homem construía. Ela possui uma relação direta com as massas de duas maneiras: utilizando-a ou contemplando-a. A fruição pode ser tátil ou visual.
A fruição visual é uma compreensão racional do processo artístico, está ligada à contemplação onde predomina a estética. Já a fruição tátil está relacionada à parte sensorial, onde tudo que é percebido nos atinge. Esta se realiza mais pelo hábito do que pela atenção.

[d07] - Marcel Duchamp [paris-zurique-new york] + [1887-1968]

documentarista: marcela
conceito: tradução
texto: a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica
autor: walter benjamin

-sobre o texto...
O texto A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, é um dos poucos textos publicados por Walter Benjamin. Nele o autor discute o valor da arte dentro do campo cultural (aura) da arte, a partir do momento em que surge uma nova experiência estética no século XIX com o advento da fotografia e do cinema.

-que tipo de arte é a fotografia e o cinema?
O séc. XIX muda radicalmente os conceitos de beleza, o mundo das coisas e da vida, assim como a própria noção da arte. A fotografia era vista apenas como algo documental, sem nenhuma narrativa. Benjamin, assim como Villém Flusser, advoga que a fotografia não é um mero registro, mas um novo campo de conhecimento humano ainda não classificado. A partir dessa nova técnica, a interpretação passa para o olhar fotográfico e não é mais uma tentativa de expressão pela pintura.

-a experiência muda...
A fotografia assim como o cinema começou como um meio de diversão da burguesia e era coletiva, pois não era necessário ter conhecimento para entende-lá. Essa nova relação interferiu diretamente na experiência do homem com a cidade (antes fragmentada e agora vista
como um todo) e com o outro (causa distanciamento entre as pessoas e
surge o interesse pela vida privada), a partir do momento em que os espaços podem ser experimentados somente pelo olhar e não precisam mais ser vividos indo-se até eles (ocorre um deslocamento espacial).

- a história não é feita de fatos, é feita de invenções.
A partir dessas mudanças, não há mais uma verdade absoluta e a história não é mais passada de pai para filho, se torna algo efêmero.

-a tradução...
Toda tradução é um novo original, com isso não há um original.
A tradução foge da questão de ser autêntica ou não, ela é uma outra coisa qualquer.

Villém Flusser

(1920-1991) filósofo judeu auto-didata, nasceu na cidade de Praga, na recém independente Tchecoslováquia. Durante a Segunda Guerra, mudou-se para o Brasil em 1940, fugindo dos nazistas. Estabeleceu-se em São Paulo e começou a lecionar filosofia e jornalismo. Publicou seu primeiro livro Língua e Realidade em 1963.Seus trabalhos a partir de então foram marcados pela discussão do pensamento proposta por Heidegger, bem como pelas influências do existencialismo e da fenomenologia. Foi para França na década de 70, onde voltou sua atenção para a filosofia da comunicação e para a produção artística.
Autor de vários livros, entre eles o Filosofia da caixa preta, aponta um caminho interessante tanto para pensar a fotografia no
plano filosófico, quanto para pensar a fotografia no sentido da criação artística. E é justamente por isso que ele vai ser uma referência tão grande para os artistas envolvidos com a fotografia na contemporaneidade. Para o filósofo alemão, criar a partir da fotografia significa desafiar a técnica, indo além dos seus limites
e, portanto, tentando redimensionar os seus obstáculos em favor da liberdade de expressão e não do colonialismo tecnológico. Neste sentido, não há limites para a fotografia e a prova disso é a quantidade de experimentações que percebemos no cenário contemporâneo da arte.

Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vil%C3%A9m_Flusser acessada dia 30/03/2007
http://www.culturabrasil.org/frankfurt.htm acessada dia 03/03/2007
http://www.facom.ufba.br/projetos/digital/obradear.html acessada dia 03/03/2007
http://www.studium.iar.unicamp.br/22/01.html?ppal=index.html acessada dia 03/03/2007
http://www.goethe.de/ins/br/sab/pt1944445.htm acessada dia 03/03/2007

Links notícias:
http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/flusser25.htm acessada dia 30/03/2007
http://iberecamargo.uol.com.br/content/revista_nova/entrevista_integra.asp?id=180 acessada dia 30/03/2007
http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/ar44.htm acessada dia 03/03/2007
http://www.revista.agulha.nom.br/ag36flusser.htm acessada dia 03/03/2007
http://www.pucsp.br/pos/cos/ementas/s012007/d3101a.htm acessad dia 03/03/2007

[d06] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: olavo
conceito: calçamento
texto: direito a cidade
autor: henri lefebvre
[seminário]
texto: passagens
autor: walter benjamin
texto: cidade, lugar do enfrentamento de classes
autor: michael lowy

Walter Benjamin tenta documentar através de suas anotações fatos que ocorriam na França a partir de 1830, buscando em litografias, cartons e jornais na biblioteca francesa, mais precisamente de como que as pessoas se apropriavam dos espaços com tudo que estava acontecendo na época. Foi a partir dessas anotações q surgiu o livro As Passagens. O texto explica o contexto histórico na França, onde os proletariados através de revoltas populares buscavam uma melhora nas condições de trabalho. Suas revoltas encontraram nas ruas retaliações dos soldados franceses no qual defendiam as idéias burguesas, para conseguir vencer as retaliações os proletariados construíram barricadas para tentar vencer o avanço dos soldados. As barricadas de nada mais servia do q um efeito moral do que propriamente físico, pois os soldados não sabiam o que iam encontrar atrás das barricadas.Benjamin tinha um fascínio pelas barricadas pois elas demonstravam o expressão material da revolta dos oprimidos.As barricadas chegavam a durar meses. A partir de 1869, os poderosos resolveram se unir e tentar por um fim nas revoltas através da haussmanização que nada mais era do que aberturas de grandes vias, embelezamento da cidade, houve uma reforma higienista. Mais isso nada mais era do que um jogo de estratégia militar para no futuro poder retaliar revoltas populares,pois com isso tudo o governo expulsava os proletariado do centro e conseguia assim ter um controle maior sobre eles.A comuna de paris foi uma ultima tentativa do povo francês de salvar paris do exercito prussiano, pois quando Napoleão fugiu após perde a guerra o exercito prussiano invadiu as terras francesas.Onde o povo volto armar barricadas contra o exercito,para defender não a França mais sim a terra onde eles moravam.Como diria Franz Mehring “as ultimas tradições da velha lenda revolucionaria também afundaram parar sempre com a queda da Comuna[...].Na historia da Comuna,os germes da revolução [ proletária ] são ainda sufocados pelas trepadeiras que, oriundas da revolução burguesa do século XVIII, invadiram o movimento operário revolucionário do século XIX. Enfim o texto conta a historia dos vencidos como diria Benjamim.

Biografia


Walter Benjamin nasceu no seio de uma abastada família judaica. Filho de Emil Benjamin e de Paula Schönflies Benjamin, comerciantes de produtos franceses. Na adolescência Benjamin, perfilhando ideais socialistas, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, colaborando na revista do movimento. Nesta época nota-se uma nítida influência de Nietzsche em suas leituras.
Em 1915, conhece Gerschom Gerhard Scholem de quem se torna muito próximo, quer pelo gosto comum pela arte, quer pela religião judaica que partilhavam. Em 1919 defende tese de doutorado, A Crítica de Arte no Romantismo Alemão, que foi aprovada e recomendada para publicação.
Em 1925, Benjamin constatou que a porta da vida acadêmica estava fechada para sí, tendo a sua tese de livre-docência Origem do Drama Barroco Alemão sido rejeitada pelo Departamento de Estética da Universidade de Frankfurt.
Nos últimos anos da década de 20 o filósofo judeu interessa-se pelo marxismo, e juntamente com o seu companheiro de então, Theodor Adorno, aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. Por esta altura e nos anos seguintes publica resenhas e traduções que lhe trariam reconhecimento como crítico literário, entre elas as séries sobre Charles Baudelaire.
Refugiou-se na Itália, de 34 a 35. Neste momento cresciam as tensões entre Benjamin e o Instituto para Pesquisas Sociais, associado ao que ficou conhecida como Escola de Frankfurt, de quem Benjamin foi mais um inspirador do que um membro. Em 1940, ano da sua morte, escreve a sua última obra, considerada por alguns o mais importante texto revolucionário desde Marx, por outros, um retrocesso no pensamento benjaminiano:, as Teses Sobre o Conceito de História. A sua morte, desde sempre envolta em mistério, teria ocorrido durante a tentativa de fuga através dos Pirenéus, quando, em Portbou, temendo ser entregue à Gestapo, comete suicídio. Sua obra exerce grande influência atualmente no editor e tradutor de suas obras em italiano Giorgio Agamben, sobretudo acerca do conceito de Estado de exceção.


Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin
http://www.culturabrasil.org/democraciaerevol.htm
http://www.geocities.com/g_anjos/artigo10.htm
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142002000200013&script=sci_arttext
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL15306-5606-6376,00.html

[d06] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: jesiéu
conceito: calçamento
texto: direito a cidade
autor: henri lefebvre

texto: passagens

[seminário]
texto: passagens
autor: walter benjamin
texto: cidade, lugar do enfrentamento de classes
autor: michael lowy

Paris, a cidade dos sonhos, se consolida nessa proposta, pois o desejo de se morar lá fica cada vez mais difícil. Está mais para pesadelo que para sonho!
Diante disso podemos detalhar alguns aspectos que levaram a essa afirmativa:
As insurreições que foram os movimentos de rebeldia onde podemos até destacar a curiosidade de Walter Benjamin quanto à participação da mulher – se despindo da sua submissão patriarcal e se revestindo da couraça do desejo de participar da luta pela liberdade – mostrando sua força e utilidade nas barricadas, onde ocupavam papel de grande importância, e outros detalhes como o número de paralelepípedos utilizados para erguer as mais de 4000 barricadas e o uso de ônibus tombados para fortalecer tais barricadas tornando-as mais fortes. Também Arthur Rimbaud, em seus versos destaca a participação da mulher na Comuna.
Daí, na tentativa de controle da situação surge o barão Haussman com suas idéias não muito bem aceitas por parte da população, mas que acaba por transformar Paris num centro elitizado, onde os pobres são forçados a migrarem para a periferia, acabando com seus “sonhos” de convivência com a classe mais promissora – a burguesia. É o rompimento do laço da vizinhança.
Cresce então a luta contra a Comuna – reunião de pessoas em pequena comunidade, onde vivem e trabalham, e no qual os meios de produção são coletivos, sob a direção de um governo local. Para Karl Marx constituiu aí o primeiro modelo de estado socialista, composto por revolucionários que governaram Paris. É o fim das barricadas, dos motins, pois as estratégias de transformação de Paris – a Haussmannização – não permitem a ação dos insurretos e com a destruição dos bairros inteiros houve o esmagamento preventivo dos focos de motim.


BIOGRAFIA

Benjamin, Walter (1892-1940).
Filósofo alemão. Um dos mais argutos críticos de artes, idéias e fatos sociais da primeira metade do século XX. Walter Benjamin
Ao filosofar contra a filosofia, tentando subtrair-se ao pensamento classificatório, o pensador alemão Walter Benjamin não alcançou repercussão em vida, apesar do estímulo que recebeu de homens como Theodor Adorno e Ernst Bloch. Depois de sua morte, passou a ser apontado como um dos mais argutos críticos de idéias e fatos da primeira metade do século XX.
Walter Benjamin nasceu em Berlim em 15 de julho de 1892. Após estudar filosofia em Munique, Berna e outras cidades, fixou-se em Berlim, em 1920, como crítico literário e tradutor. Quis uma carreira acadêmica, mas teve esse desejo frustrado quando a Universidade de Frankfurt rejeitou sua tese de doutorado, brilhante, mas, anticonvencional, Ursprung des deutschen Trauerspiels (1928; Origem da tragédia alemã).
Os textos de Benjamin, sobre literatura, arte, técnicas ou vida social, ficaram em sua maioria esparsos em periódicos. Em vida, além da tese sobre a tragédia alemã, publicou apenas outros dois livros: Der Begriff der Kunstkritik in der deutschen Romantik (O conceito de crítica de arte no romantismo alemão) e Einbahnstrasse (Rua de mão única), coletânea de ensaios e reflexões.

Arthur Rimbaud
Jean-Nicolas-Arthur Rimbaud nasceu em Charleville, França, em 20 de outubro de 1854. Desde os seis anos de idade, quando o pai, um militar, abandonou a família, viu-se às voltas com a severidade da mãe. Espantosamente precoce, aos dez anos já escrevia seus primeiros poemas e sonhava em viajar pelo mundo. Aos 17, síntese de adolescente poeta rebelde e aventureiro, decidiu conhecer Paris, onde logo entrou em contato com escritores e artistas. Acometido de um câncer no joelho direito no início de 1891, transferiu-se para Marselha, onde a amputação da perna não foi suficiente para deter a marcha da doença. Assistido pela irmã Isabelle, segundo a qual aceitou, em seus últimos dias, os sacramentos da Igreja Católica, Rimbaud morreu nesta cidade portuária francesa do Mediterrâneo em 10 de novembro de 1891.

Haussmann, Georges-Eugène (1809-1891).
Nobre e político francês. Prefeito de Paris, principal responsável pela reconstrução da cidade e pela sua modernização durante o segundo império.

Karl Marx
Karl Heinrich Marx nasceu em Trier, na Renânia, então província da Prússia, em 5 de maio de 1818. Primeiro dos meninos entre os nove filhos de uma família judaico-alemã, foi batizado numa igreja protestante, de que o pai, advogado bem-sucedido, se tornara membro, provavelmente para garantir respeitabilidade social. Depois de estudar em sua cidade natal, em 1835 Marx ingressou na Universidade de Bonn, onde participou da luta política estudantil.
Na Universidade de Berlim, para a qual se transferiu em 1836, começou a estudar a filosofia de Hegel e juntou-se ao grupo dos jovens hegelianos.
O pensamento de Karl Marx mudou radicalmente a história política da humanidade. Inspirada em suas idéias, metade da população do mundo empreendeu a revolução socialista, na intenção de coletivizar as riquezas e distribuir justiça social.

Links:
http://www.pco.org.br/revista_digital/2006/agosto/genese.htm
http://gl.wikipedia.org/wiki/Comuna_de_Par%C3%ADs
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%B5es_de_1848
http://www.ubmulheres.org.br/telas/revista/com_paris_mlh_rev.asp
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142006000100016

Notícias:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju246pag05.pdf
http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/show_news.asp?n=278&ed=1
https://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/05/05/000.htm
http://nyontime.blogspot.com/2005/08/charles-baudelaire-um-caso-clssico-de.html
http://es.wikipedia.org/wiki/Comuna_de_Par%C3%ADs
http://www.otrabalho.org.br/brasil_governo%20n%C3%A3o%20consegue%20acabar%20oaxaca.htm
http://www.aprendebrasil.com.br/especiais/revoltadavacina/pedeguerra.asp

[d05] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: giselle
conceito: ismo
texto: teoria da alienação em marx [p.32-39]
autor: istvan meszáros
texto: arte, inimiga do povo
autor: roger taylor

Faz-se necessário compreender, num primeiro instante, sob a perspectiva de Stallybrass em sua obra o Casaco de Marx a significação e o sentido das artes a partir do habito burguês do século XVIII. Como “escultura grega”, seus aspectos estéticos teóricos carregados de sentido apenas se vinculados à historicidade da própria obra. Nesse momento, mudança de foco: não se trata de entender política ou economia sob perspectivas de Stallybras, mas o que nos interessa são questões de sensibilidade, ainda que se fale de números, na obra de Marx. Partindo do ponto de que a sensibilidade se define pela forma que cada indivíduo percebe ou sente o mundo, passamos assim a tornar um problema de relações entre o mundo e as coisa, um problema estético.
É o que a teoria de Marx , vinculada ao conceito de beleza nos coloca. O que realmente importa são questões de sensibilidade, sobretudo relacionados aos objetos.
Entender Marx não se trata de entender apenas de uma economia desumanizada, o plano de fundo para seus escritos é a própria vida. Partindo do ponto que sensibilidade é a forma com que cada pessoa tem de sentir o mundo, ela passa a ser um problema estético. Alienação e capital, dentre outros conceitos, são postos como problema de sensibilidade e não como econômico e político.
As pessoas só são uma realidade objetiva no mundo porque são capazes de senti-lo de forma diferenciada: pensar em termos objetivos significa pensar em termos que descartam qualquer objetividade. Segundo Marx o número homogeneíza de forma falsa, pois o olhar de cada um é dispare. A única maneira do homem se objetivar na natureza e aparecer como ser humano (em contínuo processo de construção de um humano) é humanizando os sentidos. Considerando que todos os sentidos humanos têm que ser criados, isso significa que só podemos pensar na nossa existência no mundo se ela for construída, o que é muito diferente da existência animal que é instintiva. Deve-se ter um olhar mais atento sobre as coisas, [a exemplo do pedaço de carne que deve ser pensado sensivelmente, analisando-se toda uma cadeia de fatos consecutivos: uma vaca precisou ser morta para que aquele pedaço de carne estivesse ali e ainda a sua alusao história já vivida].
Eis a similitude do casaco de Marx, meio pelo qual se é remetido à história, é memória e ao mesmo tempo material que perde corpo, fim de si mesmo. Para Marx um pedaço de carne tem significações diferentes para animal e homem porque o olho humano¹ é diferente, ele é uma produção criativa de sentidos. Cada vez que você olha a arquitetura e consegue produzir uma nova história sobre ela, se esta produzindo um novo sentido para a sua vida.
Em Peter Stallybrass percebemos que é necessário humanizar os sentidos tanto quanto criar um.
E se é necessário criar um, podemos concluir que ele não existe por que é peculiar do humano. A criação do sentido humano começa na infância e termina com a morte ainda que aos 90 anos de idade sejamos capazes de descobrir novas coisas.
Uma discussão é aberta sobre o sentido de ser humano e fica esclarecido que o sentido a que o autor se refere é o de significado. Ao se falar de humano, digo de sentido, é preciso se repensar significados, criar novas formas de perceber o ser. A visão primeva se torna achatada por uma economia onde todos os humanos são considerados números.
O processo de significação do que significa ser humano precisa ser reavaliado. Hoje o capitalismo esta customizado, o que permite uma superação de si mesmo, dentro de seus próprios modos.
Em sua obra A Arte inimiga do povo, Roger Taylor colocará as concepções de Marx como um estilo. Para este não existe uma realidade a qual se deve chegar. Quando escreve sobre revolução, capitalismo e comunismo, parece colocar o ultimo como inexistente, dando a entender que se tem um ponto aonde chegar, uma nova ditadura, uma substituição de modelos (capitalismo por comunismo). A obra nos diz que enquanto a arte é produzida por uma classe que se acha superior à outra, ela continuará sendo uma classe que é sempre exterior á realidade, ou seja, um processo alienante. Neste caso, se definirá como processo de construção de um sentido humano, mas sempre uma doação do sentido pré - existente.
Exemplo: o jazz, a principio uma manifestação cultural de não artistas. Que ao se torna um problema quando se torna um estilo musical por que institucionaliza o campo da arte.
Marx não escreve para uma classe em especial e sim para todos, mas o problema é que seus escritos se tornam o estilo de uma classe muito especifica.
No seminário I [próximo exercício da disciplina], com o texto de Michel Lowy perceberemos que tudo o que Marx fala sobre alienação, sensibilidade [principalmente com seus 'escritos econômico-filosóficos' e o 'manifesto comunista'] de alguma forma se transforma em um novo espaço na cidade, que são as comunas de 48 e 71. Walter Benjamin fala que a historia existente é uma historia dos vencedores, não existe a dos vencidos, então ele mapeia a historia dos vencidos através de recortes de jornais e dos romances. Assim ele procura saber como as pessoas estavam construindo um novo sentido de cidade quando estes conflitos acontecem, ou seja, o que acontece quando duas classes se enfrentam.
O casaco é um sentido humano que esta sendo criado pelo próprio homem e que se torna cada vez mais humano e refinado, pois ele esta sendo usado como poder de mercadoria, seja para pagar o aluguel ou para dar de comer aos filhos.
Este processo de refinamento e humanização dos sentidos é social e não individual, ou seja, atinge formações coletivas e não pode ser mapeadas por uma pessoa só. A história dos vencidos acontece debaixo das formas vencedoras e quando acontecem desaparecem facilmente, pois são momentâneas. Elas só conseguem ser mapeadas no romance (lugar na literatura que quem escreve pode ser tão pessoal a ponto de ser impessoal) e no jornal (onde a pessoa pode mapear um milhão de noticias sobre o que acontece no mundo, sem cair no simbologismo). Estes processos de transformação que Marx chama de processo de humanização e significação humana são processos socias e coletivos.
“A carência ou a fruição perderam assim a sua natureza egoísta e a sua natureza de mera utilidade na medida em que a utilidade se tornou utilidade humana.”. Partindo do ponto que uma coisa útil é aquilo que serve para outra coisa e se considerarmos que comer chocolate é útil percebemos que esta utilidade humana é muito mais uma utilidade prática. Esta fruição (experimentação) só tem uma utilidade humana se for para fazer com que a gente crie. O casaco tem marcas, que a pessoa que olha não vê sentido, porém se pensarmos que este casaco faz parte de uma fruição humana conseguimos enxergar que os rasgos são as historias do casaco e que são eles que dizem respeito à construção de um casaco ao longo vida de alguém. É o rasgo que diz o preço e porque ele é velho; determina se ele conseguiu sobreviver ao longo do tempo.
Os sentidos e o raciocínio são duas partes diferentes do corpo humano. Para entender se um quadro é bonito, por exemplo, temos que possuir um cálculo cultural no qual você precisa estar sensibilizado para entender o que ele te possibilita em termos de fruição, o que é a mesma historia do casaco, que você só pode entender que as características que ele tem (surrado, todo marcado pelo tempo de uso) lhe permite um valor muito maior do que um novo se você possuir no primeiro momento sentido de beleza que diz que o rastro é que mostra se é belo ou não. Beleza esta, que só pode ser captada se você investir totalmente (corpo) nela. Desta maneira podemos pensar que sentido humano é um processo onde os sentidos usuais estão inseridos junto com minha capacidade de raciocínio e a carga histórica que carregamos.

BIOGRAFIA
· Peter Stallybrass
Peter Stallybrass é professor do inglês, um membro do programa na literatura comparativa e da teoria literária na universidade de Pensilvânia, e supervisor do instituto inglês. O professor Stallybrass é autor das tecnologias de Produção literária e Cultural (1996), co-autor (com branco de Allon) da política e Poetics de Transgression (1986, 1990), co-editor (com David Kastan) de encenar o renascimento: Estudos em Elizabethan e em Jacobean Drama (1991), e co-editor (com Margreta de Grazia e Maureen Quilligan) do assunto e objeto no renascimento Cultura (1996). Atualmente, é co-editor da série Cultural nova dos estudos da universidade da imprensa de Pensilvânia, e está trabalhando em um artigo prolongado no revestimento de Marx e pawnbroking. · Michel Lowy Nascido em São Paulo no ano de 1938, tem 61 anos, formou-se em Ciências Sociais na USP. Participou da fundação da organização Política Operária (Polop) e fez doutorado na Sorbonne, defendendo tese sobre o jovem Marx. É cientista social brasileiro radicado há quatro décadas na França. É especialista em Karl Marx, Rosa Luxemburgo e Georg Lukács. É autor de "Marxismo na América Latina". É autor de livros e artigos traduzidos em 22 idiomas. Atualmente, leciona na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da Universidade de Paris

Noticias
· http://www.pontodevista.jor.br/ pergunta/michel.htm
· http://www.historianet.com.br/conteudo /default.aspx?codigo=218
Sites relacionados ao assunto
· http://administracao.faccat.br/mod/resource/ view.php?id=89
· http://www.fau.ufrj.br/prolugar /arq_pdf/Diversos/OS%20SENTIDOS%20HUMANOS-safe.pdf

[d04] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: karen t.
conceito: loja de penhora
texto: o casaco de marx
autor: peter stallybrass

Antes mesmo de se interpor definições de políticas de classe, a roupa em Marx era um agente condiocional.

Se sua roupa está avaliada acima de vinte libras, isto significa que não se é mais poibre, disse Charlas Dickens a respeito do valor de troca que as vestimentas adquiriam.
Elas definiam para os operários, burgueses e, sobretudo para Marx, nas suas constantes idas a casa de penhora, um meio de sobrevivência, um determinante econômico ou ainda o quanto de trabalho poderia se produzir se elas não estivessem penhoradas.
As pessoas não querem objetos, querem mercadorias afirma stallybrass, a respeito dos valores dos objetos e das socializações produzidas pelas idas a loja de penhora.
Não é preciso ser operário para se frequentar esses espaços. Nesse instante o que interessa são os valores de troca, porque as mercadorias dizem o quanto poderei obter de lucro com a penhora. MAs em outro momento, elas poderão abranger valores de uso, quando na escolha de seu colar, opta-se por um que poderá se transformar em dinheiro, mas será, sobretudo, usado. Por isso, pode-se dizer que não se pode resumir valor de uso e valor de troca a quando se usa e quanto vale.
Quando se há marcas de giz, que definem a altura que seu filho progressivamente vai ganhando ao longo dos anos, o valor memorial ganha atualidade. Tal parede, a ser vendida por um valor, é usado numa relação de troca. Prefere-se pintura brana nas paredes, a fim de não se tocar, sentir, experimentar [experiência de uma descorporificação do espaço].
Marx a respeito da alienação provocada pela substituição dos valores de uso para troca, o que não ocorrerá de forma definida e permenente pois está em jogo são relações, chega a dizer que os brinquedos perdem sua magia,quando oscilam entre o espaço de sua casa e da loja de penhora. Diz por causa da perda frequente da relação de seus filhos com esses objetos.
Usando o objeto de arte como paralelo, uma experi~encia de memória condensada noobjeto se perde com tal valor de troca. Uma aura se perde. Tem-se descoisificado nessa transição de valores.
Esse processo de alienação [distanciamento do indivíduo do objeto que ele mesmo produz] é facilmente percebido nas relação entre operários e os produtos produzidos pelos mesmos: estão sempre vendo em catálogos de carro ou produtos, identidades distanciadas.

[d04] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: rodolfo
conceito: loja de penhora
texto: o casaco de marx
autor: Peter Stallybrass

As roupas usadas (o Fustão) determinavam a Classe de cada um.
Os pobres escolhiam seus objetos através do valor de penhora.
Após penhorar os utensílios domésticos e os brinquedos de seus filhos, Marx freqüentava tanto a loja de penhores que já tratava o dono da loja como um parente.
“As memórias estavam, assim, inscritas, para os pobres, em objetos que eram assombrados pela perda. Pois os objetos estavam num estado constante de estarem prestes a
desaparecer.”( o casaco de Marx, pagina 89)
O casaco de Marx, que para ele possuía um valor sentimental, para o dono da loja de penhores, valia pouco mais q algumas folhas, onde Marx faria seus trabalhos jornalísticos para ter dinheiro e sustenta sua família por algum tempo e em seguida recuperar seu casaco e seu “direito de sair”. Ou seja a roupa como valor de troca definia a classe econômica do individuo.
Descoisificação dos objetos na transição de valores (USO-TROCA).
A alienação distancia cada vez mais o objeto de quem o produz, não se toca mais no objeto que se produz.

MAIS-VALIA

Marx repensa o problema nos seguintes termos: cada capitalista divide
seu capital em duas partes, uma para adquirir insumos (máquinas,
matérias-primas) e outra para comprar força de trabalho; a primeira,
chamada capital constante, somente transfere o seu valor ao produto
final; a segunda, chamada capital variável, ao utilizar o trabalho dos
assalariados, adiciona um valor novo ao produto final. É este valor
adicionado, que é maior que o capital variável (daí o nome "variável":
ele se expande no processo de produção), que é repartido entre capitalista e trabalhador. O capitalista entrega ao trabalhador uma
parte do valor que este último produziu, sob forma de salário, e se
apropria do restante sob a forma de mais-valia


Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marxismo . Acesso em:13/03/2007
http://www.economiabr.net/economia/1_hpe6.html. Acesso em:12/03/2007
http://www.culturabrasil.org/marx.htm. Acesso em:12/03/2007
http://www.awtw.org/portuguese/mri/llmlm_por.htm. Acesso em:12/03/2007
http://www.unicap.br/neal/artigos/Texto8AndreRegis. Acesso em:13/03/2007

Links Notícias:
DUARTE, Cláudio. O ato falho da maquinaria social capitalista
http://militante-imaginario.blogspot.com/2006/02/grtis-o-ato-falho-da-maquinaria-social.html. Acesso em:14/03/2007
TELLES, Jorge. Um poeta nos passos da História
http://www.alagamares.net/artigo255.html . Acesso em:13/03/2007
ARRUDA, Maria Lucia. Trabalho e alienação
http://okanorun.sites.uol.com.br/trabalie.htm. Acesso em:13/03/2007
BUKHARINE, Nikolai. Crescimento e Decadência do Capitalismo
http://mundomoribundo.blogspot.com/ . Acesso em:14/03/2007
SILVEIRA, Fabrício. O Parque dos Objetos Mortos. Disponível em:
http://www.cisc.org.br/ghrebh/ghrebh2/artigos/02fabriciosilveira032003.html. Acesso em:13/03/2007

quarta-feira, 21 de março de 2007

[d03] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: Marcus Vinícius
conceito: fetiuches [prefiro fantasmas]

texto: O casaco de marx
autor: Peter Stallybrass


Where Marx was born, in Trier May 5 1818

Marx: October 1843 to January 1845, 30 rue Vanneau, Paris

Marx: May 1845 to May 1846, 5-7 Rue d'Alliance, Brussels

Marx: December 1850 to September 1856, 28 Dean Street, Soho, London

Marx: March 1875 till his death in 1883. 41 Maitland Park Road, London

O casaco de Marx Enquanto em sua jornada pelo conhecimento, Karl Marx recorrentemente se via às voltas com complicações econômicas. Como forma de driblá-las, penhorava seu casaco. Mas nessa época, para se freqüentar uma biblioteca era exigido que se trajasse um casaco. Então, houve momentos em que Marx teve que abdicar de seu direito de ir á biblioteca por longos períodos, pois seu casaco encontrava-se sob as mãos do penhor. Inclusive isso aconteceu justamente durante o duro inverno londrino em que estudava na biblioteca do Museu Britânico para a redação de sua obra máxima, "O Capital". O mais engraçado é que é na obra "O Capital" que Marx opera uma inversão ousada de conceitos, e rediscute a questão da mercadoria e do fetiche.

Forma Mercadoria = objeto qualquer que é convertido em mercadoria;
A economia depende da mercadoria;
O valor de uso é diminuído pelo valor de troca. Aí é que entra a contradição do capitalismo. A sociedade que mais se alimenta deste valor de uso é a sociedade que mais se abstrai;
O casaco para Marx é sempre essa abstração (o seu valor de troca);
Ou se tem uma mercadoria, ou se tem uma "coisa" (“... A mochila que a minha vó me deixou em seu leito de morte...");

· Como este valor abstrato pode se transformar no seu valor de uso;
· A forma mercadoria não tem a ver com a sua forma física. O que importa é a sua conversibilidade em cifras;
· Como coisa, o fetiche acaba por tomar conta da vida do portador.

E a casa do sítio? Onde fica?
· O consumidor pode ser um grande incorporador e ainda sim não ser um alienado que compra mercadorias pelo seu valor abstrato e sim pelo seu valor sensível. Pela coisa. Como no caso do colecionador que conhece as cicatrizes de suas mercadorias.
· A roupa como mecanismo de poder. Essa roupa é uma tentativa de colocar no presente parte do passado que é uma farsa.
· O estado começa a se desmantelar à lógica do lucro. Vias começam a ser alargadas, construções de belas casas no Centro e especulação imobiliária.

Stallybrass demonstra a importância do casaco de Karl Marx, em suas idas e vindas à loja de penhores, num momento crucial de sua vida de intelectual que mudaria a história da humanidade. Justamente durante o duro inverno londrino em que estudava na biblioteca do Museu Britânico para a redação de sua obra máxima, O capital. Operando uma inversão ousada de conceitos, o autor rediscute a questão da mercadoria e do fetiche, termos centrais na filosofia marxista, a partir de relação sofrida do filósofo e economista com seu casaco, reflexos de suas crises financeiras. Stallybrass faz uma surpreendente reflexão sobre o valor de uso e o valor afetivo, demonstrando que os objetos que amamos e que transformamos em extensão de nossa sensibilidade assumem valores que muitas vezes transcendem a mera relação de mercado.


"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido."
(Charles Chaplin, em discurso proferido no final do filme O grande ditador.)


Links
http://www.marxists.org/portugues/marx/1867/ocapital-v1/index.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
http://www.comunismo.com.br
http://www.culturabrasil.org/marx.htm
http://www.geocities.com/Vienna/2809/Marx.html (tem Imagine, de John Lennon como fundo musical – uma graça!)

Biografias
Friedrich Engels (1820-1895), filho de um rico industrial de Barmen (Alemanha), é o principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo histórico. Na juventude, fica impressionado com a miséria em que vivem os trabalhadores das fábricas de sua família. Quando estudante, adere a idéias de esquerda, o que o leva a aproximar-se de Marx. Assume por alguns anos a direção de uma das fábricas do pai em Manchester e suas observações nesse período formam a base de uma de suas obras principais, A situação das classes trabalhadoras na Inglaterra, publicada em 1845. Muitos de seus trabalhos posteriores são produzidos em colaboração com Marx, o mais famoso deles sendo o
Manifesto Comunista (1848). Escreve sozinho, porém, algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do Marxismo, como Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia alemã , A evolução do socialismo, de utopia a ciência e A origem da família, da propriedade privada e do Estado .

quinta-feira, 1 de março de 2007

[d02] - Karl Marx [paris-londres-berlim] + [1818-1883]

documentarista: Eunério Júnior
conceito: $$$ [cifras]
texto: o espaço infiel: quando o giro da economia capitalista impõe-se a cidade
autora: Alícia Duarte Penna [Possui graduação em curso de Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais(1986) e Mestrado em Geografia (palavra-chave:espaço urbano,dinâmica urbana,produção do espaço urbano) pela Universidade Federal de Minas Gerais(1997).Atualmente é professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC). Setores de atividade: Desenvolvimento Urbano, Planejamento e Gestão das cidades,inclusive política e planejamento habitacional].

Paris (1830-1878)
-Passagem do modo de Produção Feudal para o modo de produção industrial
-Paris que não existe mais.
-A indústria não é só um fato tecnológico mas sinônimo de crescimento.
-A cidade passa a ser o lugar da oportunidade.
-Domínio da indústria sobre a organização do espaço na cidade.
-O Estado passa a ser o maior proprietário de terra.
-Muita gente, não cabe nas casas, aglomeram na rua.
-Acontece o adensamento de população.
-Para abrir vias era necessário destruir casas, quem tinha condições ficava na cidade,quem não tinha condição ia para o subúrbio.
- A arquitetura só tem valor quando é usada.
-A cidade começa a ser vista como valor de uso.

notas sobre a produção de teorias urbanas quaisquer

sobre fazer teoria .Como se conhece .O que é especular ou hipóteses .Como racionalizar .Sobre teoria e prática ou a importância da consideração do fenômeno teórico como histórico presentificável .Quem formula uma teoria sobre o Urbano .Potências [in]disciplinares .Virtualidade e Transdução .Dialética e Gradações: necessidades da realidade .vida cotidiana .Urbanismo .Sobre valores .Festa .[bio]Potência [...]quaisquer?

sobre [panf]letagens [2sem2009]

usar a palavra-chave dada a partir dos seguintes textos como ponto de partida para produção de um construto
01. Kitchen Stories [direção: Bent Hammer] + ABALOS, I. O que é Paisagem = paisagens íntimas
02. KOOLHAAS, R. Cidade Genérica + KOOLHAAS, Rem. Vida na Metrópole ou a Cultura da Congestão = fantasias genéricas / congestão genérica
03. TSCHUMI, B. O Prazer da Arquitetura IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = funcional / inutilidade
04. VIDLER, A. Teoria do Estranhamento Familiar IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = roberto / dessimbolização
05. MAAS, W. FARMAX = leveza
06. NEGRI, A, HARDT, M. Multidão = maria de fátima
07. FLUSSER, V. Design: Obstáculo para a remoção de Obstáculos IN: _______. O Mundo Codificado = reciclagem / sofá
08. GANZ, Louise. Lotes Vagos na Cidade: Proposições para Uso Livre IN: ____ SILVA, B. Lotes Vagos = beleza
09. CRIMP, Douglas. Isto não é um Museu IN: _________. Sobre as Ruínas do Museu = coleção de museu / admiração imparcial
10. WEIZMAN, Eyal. Desruição Inteligente IN: v.v.a.a. 27a Bienal de Arte de São Paulo. Como Viver Junto = infestação / desparedamento
11. Koolhaas Houselife = funcionalidade
12. CORTEZAO, Simone. Paisagens Engarrafadas = paisagismo marcado
13. BRANDAO, Luis Alberto. Mapa Volátil. Imaginário Espacial: Paul Auster IN: _______. Grafias de Identidade. Literatura Contemporânea e Imaginário Nacional = andarilho
14. CANUTO, Frederico. Notas Sobre Ecologias Espaciais = ecossistemas
15. SANTANA, P. A Mercadoria Verde: A natureza = fotografias verdes
16. Central da Periferia = calypso amazônico / brega
17. BECKER, B. Amazônia: mudanças Estruturais e Urbanização IN: GONCALVES, M.F. et al. Regiões e Cidades. Cidades nas Regiões = fotografias verdes
19. Edifício Master. Direção: Eduardo Coutinho + CANUTO, Frederico. Apto[s], 01qrt, 1sl, 1coz, s/vg. =
20. WISNIK, Guilherme. Estado Crítico =

[d] - 1sem2009 = [doc]01 - 1osem2007 = [doc]

Documentário: Documentar os conteúdos ministrados durante a aula do dia, sendo obrigatório entregar no dia posterior, um arquivo digital contendo:
-fotografias/imagens do que foi escrito nas carteiras ou no quadro negro, bem como as discussões em sala de aula;
-outras imagens podem ser colocadas, porém devem ser relacionadas ao conteúdo da aula;
-um texto como o resumo da aula, podendo ou não conter colocações do aluno-autor;
-biografia dos autores citados em sala de aula [pesquisar no curriculo lattes, wikipedia e outros sites]. Na biografia dos autores citados deve, necessariamente, conter os trabalhos mais relevantes, bem como vínculo a escolas de pensamento;
-indicações de sites relacionados aos assuntos trabalhados em sala [mínimo de 05 links];
-notícias relacionadas ao assunto discutido em sala [mínimo de 05 notícias];

[a]02 - 1osem2007

Apresentações Grupo A: Apresentação para a sala de aula dos seguintes temas:[SURREALISMO]+[DADAISMO]+[FLUXUS], segundo os seguintes critérios mínimos: -exposição do pensamento do grupo e diversas correntes internas, através de seus conceitos; -exposição das diversas modalidades: pintura, escultura, arquitetura...; -período e países onde atou; -principais nomes e respectivos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano. Grupo B: Apresentação para a sala dos seguintes temas: [KOOLHAAS01 – Delirous New York+SMLXL]+ [KOOLHAAS02 – Mutations+Project on the City 01+02]+ [KOOLHAAS03 – Content +Reconsidering OMA], segundo os seguintes critérios mínimos: -conceitos; -eviolução de pensamento; -textos e questões trabalhadas; -cronologia dos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano.

[ps]03 - 1osem2007 = [ps]

Paisagens Superabundantes: Texto a ser entregue contendo imagens e textos, a partir dos conceitos operativos definidos diariamente na disciplina Teoria Urbana.