documentarista: giselle
conceito: ismo
texto: teoria da alienação em marx [p.32-39]
autor: istvan meszáros
texto: arte, inimiga do povo
autor: roger taylor
Faz-se necessário compreender, num primeiro instante, sob a perspectiva de Stallybrass em sua obra o Casaco de Marx a significação e o sentido das artes a partir do habito burguês do século XVIII. Como “escultura grega”, seus aspectos estéticos teóricos carregados de sentido apenas se vinculados à historicidade da própria obra. Nesse momento, mudança de foco: não se trata de entender política ou economia sob perspectivas de Stallybras, mas o que nos interessa são questões de sensibilidade, ainda que se fale de números, na obra de Marx. Partindo do ponto de que a sensibilidade se define pela forma que cada indivíduo percebe ou sente o mundo, passamos assim a tornar um problema de relações entre o mundo e as coisa, um problema estético.
É o que a teoria de Marx , vinculada ao conceito de beleza nos coloca. O que realmente importa são questões de sensibilidade, sobretudo relacionados aos objetos.
Entender Marx não se trata de entender apenas de uma economia desumanizada, o plano de fundo para seus escritos é a própria vida. Partindo do ponto que sensibilidade é a forma com que cada pessoa tem de sentir o mundo, ela passa a ser um problema estético. Alienação e capital, dentre outros conceitos, são postos como problema de sensibilidade e não como econômico e político.
As pessoas só são uma realidade objetiva no mundo porque são capazes de senti-lo de forma diferenciada: pensar em termos objetivos significa pensar em termos que descartam qualquer objetividade. Segundo Marx o número homogeneíza de forma falsa, pois o olhar de cada um é dispare. A única maneira do homem se objetivar na natureza e aparecer como ser humano (em contínuo processo de construção de um humano) é humanizando os sentidos. Considerando que todos os sentidos humanos têm que ser criados, isso significa que só podemos pensar na nossa existência no mundo se ela for construída, o que é muito diferente da existência animal que é instintiva. Deve-se ter um olhar mais atento sobre as coisas, [a exemplo do pedaço de carne que deve ser pensado sensivelmente, analisando-se toda uma cadeia de fatos consecutivos: uma vaca precisou ser morta para que aquele pedaço de carne estivesse ali e ainda a sua alusao história já vivida].
Eis a similitude do casaco de Marx, meio pelo qual se é remetido à história, é memória e ao mesmo tempo material que perde corpo, fim de si mesmo. Para Marx um pedaço de carne tem significações diferentes para animal e homem porque o olho humano¹ é diferente, ele é uma produção criativa de sentidos. Cada vez que você olha a arquitetura e consegue produzir uma nova história sobre ela, se esta produzindo um novo sentido para a sua vida.
Em Peter Stallybrass percebemos que é necessário humanizar os sentidos tanto quanto criar um.
E se é necessário criar um, podemos concluir que ele não existe por que é peculiar do humano. A criação do sentido humano começa na infância e termina com a morte ainda que aos 90 anos de idade sejamos capazes de descobrir novas coisas.
Uma discussão é aberta sobre o sentido de ser humano e fica esclarecido que o sentido a que o autor se refere é o de significado. Ao se falar de humano, digo de sentido, é preciso se repensar significados, criar novas formas de perceber o ser. A visão primeva se torna achatada por uma economia onde todos os humanos são considerados números.
O processo de significação do que significa ser humano precisa ser reavaliado. Hoje o capitalismo esta customizado, o que permite uma superação de si mesmo, dentro de seus próprios modos.
Em sua obra A Arte inimiga do povo, Roger Taylor colocará as concepções de Marx como um estilo. Para este não existe uma realidade a qual se deve chegar. Quando escreve sobre revolução, capitalismo e comunismo, parece colocar o ultimo como inexistente, dando a entender que se tem um ponto aonde chegar, uma nova ditadura, uma substituição de modelos (capitalismo por comunismo). A obra nos diz que enquanto a arte é produzida por uma classe que se acha superior à outra, ela continuará sendo uma classe que é sempre exterior á realidade, ou seja, um processo alienante. Neste caso, se definirá como processo de construção de um sentido humano, mas sempre uma doação do sentido pré - existente.
Exemplo: o jazz, a principio uma manifestação cultural de não artistas. Que ao se torna um problema quando se torna um estilo musical por que institucionaliza o campo da arte.
Marx não escreve para uma classe em especial e sim para todos, mas o problema é que seus escritos se tornam o estilo de uma classe muito especifica.
No seminário I [próximo exercício da disciplina], com o texto de Michel Lowy perceberemos que tudo o que Marx fala sobre alienação, sensibilidade [principalmente com seus 'escritos econômico-filosóficos' e o 'manifesto comunista'] de alguma forma se transforma em um novo espaço na cidade, que são as comunas de 48 e 71. Walter Benjamin fala que a historia existente é uma historia dos vencedores, não existe a dos vencidos, então ele mapeia a historia dos vencidos através de recortes de jornais e dos romances. Assim ele procura saber como as pessoas estavam construindo um novo sentido de cidade quando estes conflitos acontecem, ou seja, o que acontece quando duas classes se enfrentam.
O casaco é um sentido humano que esta sendo criado pelo próprio homem e que se torna cada vez mais humano e refinado, pois ele esta sendo usado como poder de mercadoria, seja para pagar o aluguel ou para dar de comer aos filhos.
Este processo de refinamento e humanização dos sentidos é social e não individual, ou seja, atinge formações coletivas e não pode ser mapeadas por uma pessoa só. A história dos vencidos acontece debaixo das formas vencedoras e quando acontecem desaparecem facilmente, pois são momentâneas. Elas só conseguem ser mapeadas no romance (lugar na literatura que quem escreve pode ser tão pessoal a ponto de ser impessoal) e no jornal (onde a pessoa pode mapear um milhão de noticias sobre o que acontece no mundo, sem cair no simbologismo). Estes processos de transformação que Marx chama de processo de humanização e significação humana são processos socias e coletivos.
“A carência ou a fruição perderam assim a sua natureza egoísta e a sua natureza de mera utilidade na medida em que a utilidade se tornou utilidade humana.”. Partindo do ponto que uma coisa útil é aquilo que serve para outra coisa e se considerarmos que comer chocolate é útil percebemos que esta utilidade humana é muito mais uma utilidade prática. Esta fruição (experimentação) só tem uma utilidade humana se for para fazer com que a gente crie. O casaco tem marcas, que a pessoa que olha não vê sentido, porém se pensarmos que este casaco faz parte de uma fruição humana conseguimos enxergar que os rasgos são as historias do casaco e que são eles que dizem respeito à construção de um casaco ao longo vida de alguém. É o rasgo que diz o preço e porque ele é velho; determina se ele conseguiu sobreviver ao longo do tempo.
Os sentidos e o raciocínio são duas partes diferentes do corpo humano. Para entender se um quadro é bonito, por exemplo, temos que possuir um cálculo cultural no qual você precisa estar sensibilizado para entender o que ele te possibilita em termos de fruição, o que é a mesma historia do casaco, que você só pode entender que as características que ele tem (surrado, todo marcado pelo tempo de uso) lhe permite um valor muito maior do que um novo se você possuir no primeiro momento sentido de beleza que diz que o rastro é que mostra se é belo ou não. Beleza esta, que só pode ser captada se você investir totalmente (corpo) nela. Desta maneira podemos pensar que sentido humano é um processo onde os sentidos usuais estão inseridos junto com minha capacidade de raciocínio e a carga histórica que carregamos.
BIOGRAFIA
· Peter Stallybrass
Peter Stallybrass é professor do inglês, um membro do programa na literatura comparativa e da teoria literária na universidade de Pensilvânia, e supervisor do instituto inglês. O professor Stallybrass é autor das tecnologias de Produção literária e Cultural (1996), co-autor (com branco de Allon) da política e Poetics de Transgression (1986, 1990), co-editor (com David Kastan) de encenar o renascimento: Estudos em Elizabethan e em Jacobean Drama (1991), e co-editor (com Margreta de Grazia e Maureen Quilligan) do assunto e objeto no renascimento Cultura (1996). Atualmente, é co-editor da série Cultural nova dos estudos da universidade da imprensa de Pensilvânia, e está trabalhando em um artigo prolongado no revestimento de Marx e pawnbroking. · Michel Lowy Nascido em São Paulo no ano de 1938, tem 61 anos, formou-se em Ciências Sociais na USP. Participou da fundação da organização Política Operária (Polop) e fez doutorado na Sorbonne, defendendo tese sobre o jovem Marx. É cientista social brasileiro radicado há quatro décadas na França. É especialista em Karl Marx, Rosa Luxemburgo e Georg Lukács. É autor de "Marxismo na América Latina". É autor de livros e artigos traduzidos em 22 idiomas. Atualmente, leciona na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, da Universidade de Paris
Noticias
· http://www.pontodevista.jor.br/ pergunta/michel.htm
· http://www.historianet.com.br/conteudo /default.aspx?codigo=218
Sites relacionados ao assunto
· http://administracao.faccat.br/mod/resource/ view.php?id=89
· http://www.fau.ufrj.br/prolugar /arq_pdf/Diversos/OS%20SENTIDOS%20HUMANOS-safe.pdf
Can Dialectics Break Bricks?
sábado, 19 de maio de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
notas sobre a produção de teorias urbanas quaisquer
sobre fazer teoria
.Como se conhece
.O que é especular ou hipóteses
.Como racionalizar
.Sobre teoria e prática ou a importância da consideração do fenômeno teórico como histórico presentificável
.Quem formula uma teoria
sobre o Urbano
.Potências [in]disciplinares
.Virtualidade e Transdução
.Dialética e Gradações: necessidades da realidade
.vida cotidiana
.Urbanismo
.Sobre valores
.Festa
.[bio]Potência
[...]quaisquer?
sobre [panf]letagens [2sem2009]
usar a palavra-chave dada a partir dos seguintes textos como ponto de partida para produção de um construto
01. Kitchen Stories [direção: Bent Hammer] + ABALOS, I. O que é Paisagem = paisagens íntimas
02. KOOLHAAS, R. Cidade Genérica + KOOLHAAS, Rem. Vida na Metrópole ou a Cultura da Congestão = fantasias genéricas / congestão genérica
03. TSCHUMI, B. O Prazer da Arquitetura IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = funcional / inutilidade
04. VIDLER, A. Teoria do Estranhamento Familiar IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = roberto / dessimbolização
05. MAAS, W. FARMAX = leveza
06. NEGRI, A, HARDT, M. Multidão = maria de fátima
07. FLUSSER, V. Design: Obstáculo para a remoção de Obstáculos IN: _______. O Mundo Codificado = reciclagem / sofá
08. GANZ, Louise. Lotes Vagos na Cidade: Proposições para Uso Livre IN: ____ SILVA, B. Lotes Vagos = beleza
09. CRIMP, Douglas. Isto não é um Museu IN: _________. Sobre as Ruínas do Museu = coleção de museu / admiração imparcial
10. WEIZMAN, Eyal. Desruição Inteligente IN: v.v.a.a. 27a Bienal de Arte de São Paulo. Como Viver Junto = infestação / desparedamento
11. Koolhaas Houselife = funcionalidade
12. CORTEZAO, Simone. Paisagens Engarrafadas = paisagismo marcado
13. BRANDAO, Luis Alberto. Mapa Volátil. Imaginário Espacial: Paul Auster IN: _______. Grafias de Identidade. Literatura Contemporânea e Imaginário Nacional = andarilho
14. CANUTO, Frederico. Notas Sobre Ecologias Espaciais = ecossistemas
15. SANTANA, P. A Mercadoria Verde: A natureza = fotografias verdes
16. Central da Periferia = calypso amazônico / brega
17. BECKER, B. Amazônia: mudanças Estruturais e Urbanização IN: GONCALVES, M.F. et al. Regiões e Cidades. Cidades nas Regiões = fotografias verdes
19. Edifício Master. Direção: Eduardo Coutinho + CANUTO, Frederico. Apto[s], 01qrt, 1sl, 1coz, s/vg. =
20. WISNIK, Guilherme. Estado Crítico =
[d] - 1sem2009 = [doc]01 - 1osem2007 = [doc]
Documentário: Documentar os conteúdos ministrados durante a aula do dia, sendo obrigatório entregar no dia posterior, um arquivo digital contendo:
-fotografias/imagens do que foi escrito nas carteiras ou no quadro negro, bem como as discussões em sala de aula;
-outras imagens podem ser colocadas, porém devem ser relacionadas ao conteúdo da aula;
-um texto como o resumo da aula, podendo ou não conter colocações do aluno-autor;
-biografia dos autores citados em sala de aula [pesquisar no curriculo lattes, wikipedia e outros sites]. Na biografia dos autores citados deve, necessariamente, conter os trabalhos mais relevantes, bem como vínculo a escolas de pensamento;
-indicações de sites relacionados aos assuntos trabalhados em sala [mínimo de 05 links];
-notícias relacionadas ao assunto discutido em sala [mínimo de 05 notícias];
-fotografias/imagens do que foi escrito nas carteiras ou no quadro negro, bem como as discussões em sala de aula;
-outras imagens podem ser colocadas, porém devem ser relacionadas ao conteúdo da aula;
-um texto como o resumo da aula, podendo ou não conter colocações do aluno-autor;
-biografia dos autores citados em sala de aula [pesquisar no curriculo lattes, wikipedia e outros sites]. Na biografia dos autores citados deve, necessariamente, conter os trabalhos mais relevantes, bem como vínculo a escolas de pensamento;
-indicações de sites relacionados aos assuntos trabalhados em sala [mínimo de 05 links];
-notícias relacionadas ao assunto discutido em sala [mínimo de 05 notícias];
[a]02 - 1osem2007
Apresentações
Grupo A: Apresentação para a sala de aula dos seguintes temas:[SURREALISMO]+[DADAISMO]+[FLUXUS], segundo os seguintes critérios mínimos:
-exposição do pensamento do grupo e diversas correntes internas, através de seus conceitos;
-exposição das diversas modalidades: pintura, escultura, arquitetura...;
-período e países onde atou;
-principais nomes e respectivos trabalhos;
-articulação obra-conceitos-ambiente urbano.
Grupo B: Apresentação para a sala dos seguintes temas: [KOOLHAAS01 – Delirous New York+SMLXL]+
[KOOLHAAS02 – Mutations+Project on the City 01+02]+
[KOOLHAAS03 – Content +Reconsidering OMA], segundo os seguintes critérios mínimos:
-conceitos;
-eviolução de pensamento;
-textos e questões trabalhadas;
-cronologia dos trabalhos;
-articulação obra-conceitos-ambiente urbano.
[ps]03 - 1osem2007 = [ps]
Paisagens Superabundantes: Texto a ser entregue contendo imagens e textos, a partir dos conceitos operativos definidos diariamente na disciplina Teoria Urbana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário