documentarista: renata
conceito: cheque em branco
texto: os embreantes
autor: anne cauquellin
conceito: cheque em branco
texto: os embreantes
autor: anne cauquellin
Existe uma ruptura entre os modelos da arte moderna e os da arte contemporânea, o primeiro pertencente ao regime de consumo e o segundo ao regime da comunicação. Vários indícios permitiam antever a chegada do novo estado de coisas(comunicação), o movimento de ruptura está a cargo o mais das vezes de figuras singulares, de práticas, que anunciam uma nova realidade. Essas figuras que revelam os indícios serão chamadas de “embreantes”.
Marcel Duchamp pode ser caracterizado como embreante, sua influência sobre a arte contemporânea cresce à medida que os anos passam. Nasceu na época em que o cinema começou a ser inventado, seu avô era dono de gráficas onde se reproduziam jornais, portanto Duchamp tinha uma proximidade com os meios de reprodução técnica. Isso de alguma forma interferiu na forma com que ele fazia arte. Ele expressa um modelo de comportamento singular que corresponde às expectativas contemporâneas, não por causa do conteúdo da sua obra mais pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime de arte e também a divulgação dele. As posições seguintes que funcionam como atrativo de Duchamp:
· A distinção entre a esfera da arte e a esfera da estética.
A estética é o ramo da ciência e da filosofia que se ocupa a dizer como é que as pessoas entendem sensivelmente as coisas do mundo. A estética mostra o conteúdo da obra e seu valor em si, a arte como uma esfera de atividades entre outras sem a necessidade de seu conteúdo. Isso é arte não porque as pessoas se sensibilizam com isso e sim porque está no museu.
· A indistinção dos papéis.
O papel dos artistas não são mais pré-estabelecidos. Todos os papéis(produtores, intermediários e consumidores) podem ser desempenhados ao mesmo tempo. O percurso não é mais linear, e sim circular.
O percurso linear começa no artista e termina no comprador: o quadro é pintado, entregue para a galeria, exposto no museu, alguém compra e leva para a casa. No percuso circular todos os papéis se misturam: Duchamp escolhe um mictório, o coloca no museu com a assinatura R.Mutt, leva-o para um concurso, onde diz que é obra de arte e é colocado no museu. O mictório só tem valor no museu. O consumidor e o produtor são todas as pessoas que observam no museu, Duchamp, avaliadores da banca, etc.
· O sistema da arte é organizado em rede.
A arte é um objeto de consumo. A arte era um objeto que fazia parte da vida das pessoas, agora a pessoa pode compra-la, a arte é mercadoria A arte não é mais uma esfera que está em conflito com as outras ou que está criticando, pois ela é uma mercadoria. Como que se faz uma arte que critica a capitalização do mundo sendo que ela vale 1000 reais?
· A arte como linguagem.
A arte é um sistema de signos, a realidade transmitida por meio deles é construída pela linguagem => Cinema. A arte não é mais emoção, ela é pensada, o observador e o observado estão unidos por essa construção.
Esses quatro pontos não eram perceptíveis logo de início, entravam em conflito com o regime ‘moderno’ dominante e traziam uma carga de oposição
pesada. De um lado as obras de Duchamp não apresentavam um caráter estético que suscitasse um julgamento de gosto (o mictório não era questão de gosto, mas é arte), de outro elas eram imperceptíveis( sabe que existe porque está no museu, fora dele é imperceptível).
Para fazer justiça à novidade delas, devemos, pois, proceder, não à análise termo a termo das obras, mas ao posicionamento da atitude de Duchamp.
A distinção estética/arte
a) A ruptura.
Duchamp era cercado de pintores, poetas e escritores, participou do movimento surrealista e cubista. Uma passagem por Munique, na Alemanha, em 1912, e pelo movimento dada isolaram-no. Duchamp rompe com a prática estética da pintura: ele se declara ‘antiartista’. A arte não é mais para ele uma questão de conteúdos(cores, formas), mas de continente. A obra tem valor quando está no museu, assim ela é arte; fora do museu ela perde seu valor.
b) Os ready-mades
Duchamp é o responsável pelo conceito de ready made, a saber, o trasporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fontaine está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido. Ele faz notar que apenas o lugar de exposição torna esses objetos obra de arte. É ele que dá o valor estético de um objeto, por menos estético que ele seja.
Em relação à obra, ela pode então ser qualquer coisa, mas numa hora determinada. O valor mudou de lugar: está agora relacionado ao lugar e ao tempo, desertou o próprio objeto. O valo dentro de uma indústria da arte. Nesse caso, o autor é apenas aquele que mostra.
c) O acaso e a escolha
O ready-made, encontrado por acaso, escolhido e reservado, indica o estado da arte em um momento determinado. Objeto > Espaço > Tempo. Ele tem relação com a totalidade dos acontecimentos da arte, em nenhum momento é uma obra à parte, uma obra em sim dotada de valor estético; é um indicador dentro de um sistema.
O transformador Duchamp
Vale a pena ressaltar que a obra de Duchamp deixou um legado importante para as experimentações artísticas subseqüentes, tais como o Dadaísmo, o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato, a Arte Conceitual, o minimalismo, a pop art, as instalções, até mesmo os happenings que ele tanto apreciava. Muitos dos artistas identificados com essas tendências prestaram tributo a Duchamp. A esfera da arte se articula com a era da comunicação. Essas articulações foram citadas anteriormente.
O modelo Duchamp oferece a única imagem possível de um exercício da Arte em um sistema que já começa a ser aplicado, o da comunicação.
· A distinção entre a esfera da arte e a esfera da estética.
A estética é o ramo da ciência e da filosofia que se ocupa a dizer como é que as pessoas entendem sensivelmente as coisas do mundo. A estética mostra o conteúdo da obra e seu valor em si, a arte como uma esfera de atividades entre outras sem a necessidade de seu conteúdo. Isso é arte não porque as pessoas se sensibilizam com isso e sim porque está no museu.
· A indistinção dos papéis.
O papel dos artistas não são mais pré-estabelecidos. Todos os papéis(produtores, intermediários e consumidores) podem ser desempenhados ao mesmo tempo. O percurso não é mais linear, e sim circular.
O percurso linear começa no artista e termina no comprador: o quadro é pintado, entregue para a galeria, exposto no museu, alguém compra e leva para a casa. No percuso circular todos os papéis se misturam: Duchamp escolhe um mictório, o coloca no museu com a assinatura R.Mutt, leva-o para um concurso, onde diz que é obra de arte e é colocado no museu. O mictório só tem valor no museu. O consumidor e o produtor são todas as pessoas que observam no museu, Duchamp, avaliadores da banca, etc.
· O sistema da arte é organizado em rede.
A arte é um objeto de consumo. A arte era um objeto que fazia parte da vida das pessoas, agora a pessoa pode compra-la, a arte é mercadoria A arte não é mais uma esfera que está em conflito com as outras ou que está criticando, pois ela é uma mercadoria. Como que se faz uma arte que critica a capitalização do mundo sendo que ela vale 1000 reais?
· A arte como linguagem.
A arte é um sistema de signos, a realidade transmitida por meio deles é construída pela linguagem => Cinema. A arte não é mais emoção, ela é pensada, o observador e o observado estão unidos por essa construção.
Esses quatro pontos não eram perceptíveis logo de início, entravam em conflito com o regime ‘moderno’ dominante e traziam uma carga de oposição
pesada. De um lado as obras de Duchamp não apresentavam um caráter estético que suscitasse um julgamento de gosto (o mictório não era questão de gosto, mas é arte), de outro elas eram imperceptíveis( sabe que existe porque está no museu, fora dele é imperceptível).
Para fazer justiça à novidade delas, devemos, pois, proceder, não à análise termo a termo das obras, mas ao posicionamento da atitude de Duchamp.
A distinção estética/arte
a) A ruptura.
Duchamp era cercado de pintores, poetas e escritores, participou do movimento surrealista e cubista. Uma passagem por Munique, na Alemanha, em 1912, e pelo movimento dada isolaram-no. Duchamp rompe com a prática estética da pintura: ele se declara ‘antiartista’. A arte não é mais para ele uma questão de conteúdos(cores, formas), mas de continente. A obra tem valor quando está no museu, assim ela é arte; fora do museu ela perde seu valor.
b) Os ready-mades
Duchamp é o responsável pelo conceito de ready made, a saber, o trasporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fontaine está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido. Ele faz notar que apenas o lugar de exposição torna esses objetos obra de arte. É ele que dá o valor estético de um objeto, por menos estético que ele seja.
Em relação à obra, ela pode então ser qualquer coisa, mas numa hora determinada. O valor mudou de lugar: está agora relacionado ao lugar e ao tempo, desertou o próprio objeto. O valo dentro de uma indústria da arte. Nesse caso, o autor é apenas aquele que mostra.
c) O acaso e a escolha
O ready-made, encontrado por acaso, escolhido e reservado, indica o estado da arte em um momento determinado. Objeto > Espaço > Tempo. Ele tem relação com a totalidade dos acontecimentos da arte, em nenhum momento é uma obra à parte, uma obra em sim dotada de valor estético; é um indicador dentro de um sistema.
O transformador Duchamp
Vale a pena ressaltar que a obra de Duchamp deixou um legado importante para as experimentações artísticas subseqüentes, tais como o Dadaísmo, o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato, a Arte Conceitual, o minimalismo, a pop art, as instalções, até mesmo os happenings que ele tanto apreciava. Muitos dos artistas identificados com essas tendências prestaram tributo a Duchamp. A esfera da arte se articula com a era da comunicação. Essas articulações foram citadas anteriormente.
O modelo Duchamp oferece a única imagem possível de um exercício da Arte em um sistema que já começa a ser aplicado, o da comunicação.
Biografias
Roland Barthes

(Cherbourg, 12 de Novembro de 1915 — Paris, 26 de Março de 1980)
Roland Barthes foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS.
Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, . Principais Obras
O grau Zero da Escrita (1953)
Mitologias (1957)
Elementos da Semiologia (1965)
O sistema da moda (1967)
S/Z (1970)
Roland Barthes por Roland Barthes (1975)
Fragmentos de um Discurso Amoroso (1977)
A câmara clara (1980)
Roland Barthes foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS.
Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, . Principais Obras
O grau Zero da Escrita (1953)
Mitologias (1957)
Elementos da Semiologia (1965)
O sistema da moda (1967)
S/Z (1970)
Roland Barthes por Roland Barthes (1975)
Fragmentos de um Discurso Amoroso (1977)
A câmara clara (1980)
. Roland Barthes por Roland Barthes (1975)
Pela dificuldade em ser classificado, quando de seu lançamento (1975 na França, 1977 no Brasil), Roland Barthes por Roland Barthes acabou sendo definido pelo que não era: nem uma autobiografia nem um livro de “confissões” (embora com muitos elementos de um e de outro). Afinal, a primeira frase, manuscrita, do livro é que “Tudo isto deve ser considerado como dito por um personagem de romance”.
Compondo o livro por fragmentos, Barthes deu-se a oportunidade de ser levado apenas por sua imaginação e pelo gosto da escrita. Daí surgem evocações de sua infância e juventude, reflexões sobre suas experiências de vida, sobre seus autores e leituras preferidas, sobre seu trabalho teórico, sobre utopias, sobre ficção e teatro, sobre a linguagem, sobre as palavras...
“Escrever por fragmentos: os fragmentos são então pedras sobre o contorno do círculo: espalho-me à roda: todo o meu pequeno universo em migalhas; no centro, o quê?” No centro está um retrato em múltiplas dimensões do próprio Barthes que esclarece o projeto de um dos mais criativos e interessantes intelectuais de nosso tempo.
Trechos
“Toda lei que oprime um discurso é insuficientemente fundamentada.” (p. 44)
“Muitos textos de vanguarda (ainda não publicados) são incertos: como julgá-los, retê-los, como predizer-lhes um futuro, imediato ou longínquo? Eles agradam? Aborrecem? Sua qualidade evidente é de ordem intencional: eles se apressam a servir à teoria. No entanto, essa qualidade é também uma chantagem (uma chantagem à teoria): goste de mim, guarde-me, defenda-me, já que eu sou conforme à teoria que você reclama; não estou fazendo o que fizeram Artaud, Cage, etc.? – Mas Artaud não é somente ‘vanguarda’; é também escritura; Cage tem também sedução...” (p. 67)
“Para que serve a utopia? Para fazer sentido. [...] A utopia é familiar ao escritor, porque o escritor é um doador de sentido: sua tarefa (ou seu gozo) consiste em dar sentidos, nomes, e ele só o pode fazer se houver paradigma, desencadeamento do sim/não, alternância de dois valores: para ele, o mundo é uma medalha, uma moeda, uma dupla superfície de leitura, cujo avesso é ocupado por sua própria realidade e cujo direito, pela utopia.” (p. 91)
“A elipse, figura mal conhecida, é perturbadora pelo fato de representar a assustadora liberdade da linguagem [...]” (p. 93)
“Utopia (à moda de Fourier): a de um mundo onde só houvesse diferenças, de modo que diferenciar-se não seria mais excluir-se.” (p. 99)
“Escrever por fragmentos: os fragmentos são então pedras sobre o contorno do círculo: espalho-me à roda: todo o meu pequeno universo em migalhas; no centro, o quê?” (p. 108)
“Comentar-me? Que tédio! Eu não tinha outra solução a não ser a de me re-escrever – de longe, de muito longe – de agora: acrescentar aos livros, aos temas, às lembranças, aos textos, uma outra enunciação, sem saber jamais se é de meu passado ou de meu presente que falo. Lanço assim sobre a obra escrita, sobre o corpo e o corpus passados, tocando-os de leve, uma espécide de patchwork, uma coberta rapsódica feita de quadrados costurados. Longe de aprofundar, permaneço na superfície, porque desta vez se trata de ‘mim’ do Eu) e porque a profundidade pertence aos outros.” (p. 160)
Michel Foucault

(Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 26 de junho de 1984)
Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926. Filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.
Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite.
Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio. Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne.
Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970. Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".
Aos 28 anos Publicou Maladie Mentale et Psychologie (1954; Doença Mental e Psicologia), mas foi com Histoire de la Folie à l’âge Classique (1961; História da Loucura), sua tese de doutorado na Sorbone, que firmou-se como Filósofo. Neste livro, analisou as práticas dos séculos XVII e XVIII que levaram à exclusão do convívio social dos "desprovidos de razão". Foucault preferia ser chamado de "arqueólogo", dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura - arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses,1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber).
Surveiller et punir (1975; Vigiar e Punir) é um amplo estudo sobre a disciplina na sociedade moderna, para ele, "uma técnica de produção de corpos dóceis". O instinto da prisão teria por objetivo o marginal do proletariado e assim reduzir a solidariedade e o processo da classe inferior; confinando as ilegalidades da classe dominada, sobreviveriam mais facilmente às ilegalidades da classe dominante. Foucault analisou os processos disciplinares empregados nas prisões, considerando-os exemplos da imposição, às pessoas, e padrões "normais" de conduta estabelecida pelas ciências sociais. A partir desse trabalho, explicitou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição. Assim, é possível lutar contra a dominação representada por certos padrões de pensamento e comportamento sendo, no entanto impossível escapar completamente a todas e quaisquer relações de poder. Em seus escritos sobre medicina, Foucault criticou a psiquiatria e a psicanálise tradicionais.
Deixou inacabado seu mais ambicioso projeto, Historie de la Sexualité (História da Sexualidade), que pretende mostrar como a sociedade ocidental faz do sexo um instrumento de poder, não por meio da repressão, mas da expressão. O primeiro dos seis volumes anunciados foi publicado em 1976 sob o título La Volonté de Savoir (1976; A Vontade de Saber) e despertou duras críticas. Em 1984, pouco antes de morrer, publicou outros dois volumes, rompendo um silêncio de oito anos: L’Usage des plaisirs (O uso dos prazeres), que analisa a sexualidade na Grécia Antiga e Le souci de soi (O cuidado de Si), que trata da Roma Antiga.
Foucault teve vários contatos com diversos movimentos políticos. Engajou-se nas disputas políticas nas Guerras do Irã e da Turquia. O Japão é também um local de discussão para Foucault. Várias vezes esteve no Brasil, onde realizou conferências e firmou amizades como a de Roberto Machado. Foi no Brasil que pronunciou as importantes conferências sobre A verdade e as formas jurídicas, na PUC do Rio de Janeiro. Os Estados Unidos atraem Foucault em função do apoio à liberdade intelectual e em função de São Francisco, cidade onde Foucault pode vivenciar algumas experiências marcantes em sua vida pessoal no que diz respeito à sua sexualidade. Berkeley torna-se um pólo de contato entre Foucault e os Estados Unidos. Definitivamente, Foucault sentia-se em casa nos EUA.
Em junho de 1984, em função de complicadores provocados pela AIDS, Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25. Discutido e estudado por várias áreas do saber, Foucault mostra-se como um pensador arrojado, um intelectual que, preocupado com o presente em que se encontra inserido, percorre os saberes em busca de uma crítica que subverta os esquemas de saberes e práticas que nos subjugam.
. Principais Obras
Doença Mental e Psicologia, 1954;
História da loucura na idade clássica, 1961;
Nascimento da clínica, 1963;
As palavras e as coisas, 1966;
Arqueologia do saber, 1969;
Vigiar e punir, 1975;
História da sexualidade:
A vontade de saber, 1976;
O uso dos prazeres, 1984;
O Cuidado de Si, 1984;
Ditos e escritos, 2006;
A vontade de saber; (1970-1971)
Teorias e instituições penais"; (1971-1972)
A sociedade punitiva; (1972-1973)
O poder psiquiátrico; (1973-1974)
Os anormais; (1974-1975)
Em defesa da sociedade; (1975-1976)
Segurança, território e população; (1977-1978)
Nascimento da biopolítica; (1978-1979)
Do governo dos vivos; (1979-1980)
Subjetividade e verdade; (1980-1981)
A hermenêutica do sujeito; (1981-1982)
Le gouvernement de soi et des autres; (1983)
Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité (1984)
A Verdade e as Formas Juridicas ' (1996)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein
Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926. Filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.
Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite.
Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio. Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne.
Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970. Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".
Aos 28 anos Publicou Maladie Mentale et Psychologie (1954; Doença Mental e Psicologia), mas foi com Histoire de la Folie à l’âge Classique (1961; História da Loucura), sua tese de doutorado na Sorbone, que firmou-se como Filósofo. Neste livro, analisou as práticas dos séculos XVII e XVIII que levaram à exclusão do convívio social dos "desprovidos de razão". Foucault preferia ser chamado de "arqueólogo", dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura - arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses,1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber).
Surveiller et punir (1975; Vigiar e Punir) é um amplo estudo sobre a disciplina na sociedade moderna, para ele, "uma técnica de produção de corpos dóceis". O instinto da prisão teria por objetivo o marginal do proletariado e assim reduzir a solidariedade e o processo da classe inferior; confinando as ilegalidades da classe dominada, sobreviveriam mais facilmente às ilegalidades da classe dominante. Foucault analisou os processos disciplinares empregados nas prisões, considerando-os exemplos da imposição, às pessoas, e padrões "normais" de conduta estabelecida pelas ciências sociais. A partir desse trabalho, explicitou-se a noção de que as formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição. Assim, é possível lutar contra a dominação representada por certos padrões de pensamento e comportamento sendo, no entanto impossível escapar completamente a todas e quaisquer relações de poder. Em seus escritos sobre medicina, Foucault criticou a psiquiatria e a psicanálise tradicionais.
Deixou inacabado seu mais ambicioso projeto, Historie de la Sexualité (História da Sexualidade), que pretende mostrar como a sociedade ocidental faz do sexo um instrumento de poder, não por meio da repressão, mas da expressão. O primeiro dos seis volumes anunciados foi publicado em 1976 sob o título La Volonté de Savoir (1976; A Vontade de Saber) e despertou duras críticas. Em 1984, pouco antes de morrer, publicou outros dois volumes, rompendo um silêncio de oito anos: L’Usage des plaisirs (O uso dos prazeres), que analisa a sexualidade na Grécia Antiga e Le souci de soi (O cuidado de Si), que trata da Roma Antiga.
Foucault teve vários contatos com diversos movimentos políticos. Engajou-se nas disputas políticas nas Guerras do Irã e da Turquia. O Japão é também um local de discussão para Foucault. Várias vezes esteve no Brasil, onde realizou conferências e firmou amizades como a de Roberto Machado. Foi no Brasil que pronunciou as importantes conferências sobre A verdade e as formas jurídicas, na PUC do Rio de Janeiro. Os Estados Unidos atraem Foucault em função do apoio à liberdade intelectual e em função de São Francisco, cidade onde Foucault pode vivenciar algumas experiências marcantes em sua vida pessoal no que diz respeito à sua sexualidade. Berkeley torna-se um pólo de contato entre Foucault e os Estados Unidos. Definitivamente, Foucault sentia-se em casa nos EUA.
Em junho de 1984, em função de complicadores provocados pela AIDS, Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25. Discutido e estudado por várias áreas do saber, Foucault mostra-se como um pensador arrojado, um intelectual que, preocupado com o presente em que se encontra inserido, percorre os saberes em busca de uma crítica que subverta os esquemas de saberes e práticas que nos subjugam.
. Principais Obras
Doença Mental e Psicologia, 1954;
História da loucura na idade clássica, 1961;
Nascimento da clínica, 1963;
As palavras e as coisas, 1966;
Arqueologia do saber, 1969;
Vigiar e punir, 1975;
História da sexualidade:
A vontade de saber, 1976;
O uso dos prazeres, 1984;
O Cuidado de Si, 1984;
Ditos e escritos, 2006;
A vontade de saber; (1970-1971)
Teorias e instituições penais"; (1971-1972)
A sociedade punitiva; (1972-1973)
O poder psiquiátrico; (1973-1974)
Os anormais; (1974-1975)
Em defesa da sociedade; (1975-1976)
Segurança, território e população; (1977-1978)
Nascimento da biopolítica; (1978-1979)
Do governo dos vivos; (1979-1980)
Subjetividade e verdade; (1980-1981)
A hermenêutica do sujeito; (1981-1982)
Le gouvernement de soi et des autres; (1983)
Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité (1984)
A Verdade e as Formas Juridicas ' (1996)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein

(26 de Abril de 1889; 29 de Abril de 1951)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein nasceu em Viena em 26 de Abril de 1889, filho de Karl e Leopoldine Wittgenstein. Ele era o mais novo de oito filhos, nascendo em uma das famílias mais ricas do Império Austro-Húngaro. Os seus avós, Hermann Christian e Fanny Wittgenstein eram de família judia, mas se converteram ao Protestantismo, a depois que se mudaram para da Saxônia para Viena no início da segunda metade do século XIX, inseriram-se no ambiente protestante de Viena. O pai de Ludwig, Karl Wittgenstein, tornou-se um industrial proeminente, fazendo fortuna com ferro e aço. A mãe de Ludwig, Leopoldine, também era de ascendência judia pelo lado paterno da família, mas foi educada segundo práticas da Igreja Católica. Ludwig, assim como todos seus irmãos e irmãs, foi batizado como um católico.
Ludwig cresceu em um ambiente doméstico que proporcionava uma vida artística e intelectual bastante intensa. Seus pais eram ambos bastante interessados em música, e todos os seus filhos eram dotados artísticamente e intelectualmente. Karl Wittgenstein fora inclusive um grande "mecenas" e patrono das artes, e diversos artistas e eruditos frequentavam a sua residência — principalmente músicos. A família era constantemente visitada por artistas de renome como Johannes Brahms e Gustav Mahler. Um dos irmãos de Ludwig, Paul Wittgenstein, tornou-se um habilidoso pianista de renome internacional, mesmo após perder a mão direita na 1ª Guerra Mundial. Apesar de Ludwig não ter demonstrado nenhum talento musical, sua devoção e gosto à música permaneceu importante durante toda sua vida — e ele fazia frequentemente metáforas e exemplos relacionados à música em seus escritos filosóficos. Outra característica - um tanto quanto negativa - da família era a tendência à intensa auto-crítica e pessimismo, chegando ao ponto da depressão e mesmo de tendências suicidas. Três de seus quatro irmãos cometeram suicídio.
Até 1903, Ludwig foi educado em casa; após este período, estudou por três anos na Realschule em Linz, uma escola que dava ênfase a disciplinas técnicas. Adolf Hitler foi um estudande desta escola no mesmo período, e os dois, com 14 e 15 anos respectivamente, podem ser vistos em uma fotografia escolar, juntos com outros 40 estudantes. 1. Ludwig se interessava por Física e queria estudar com Ludwig Boltzmann, cuja coleção de escritos populares foram publicados na época (1905). Boltzmann, contudo, cometeu suicídio em 1906.
Em 1906, Wittgenstein inicia seus estudos de Engenharia Mecânica em Berlim, e em 1908 ingressa na Universidade de Manchester para iniciar seu Doutoramento em Engenharia, estando repleto de planos e idéias relacionadas à engenharia aeronautica. Ele se registrou como um estudante pesquisador em um laboratório de engenharia, onde conduziu pesquisas a respeito do comportamento de pipas na atmosfera terrestre, e trabalhou no design de um motor à jato. Durante sua pesquisa em Manchester, tornou-se interessado nos fundamentos da matemática, particularmente depois de ler Princípios da Matemática de Bertrand Russell e Grundgesetze, de Gottlob Frege. No verão de 1911, Wittgenstein visitou Frege, depois de ter se correspondido com ele por algum tempo, e Frege recomendou que ele fosse à Universidade de Cambridge estudar com Russell.
Em Outubro de 1911, Wittgenstein chegou - sem ser anunciado - às classes de Russel no Trinity College, e em pouco tempo estava tendo leituras e discussões filosóficas de grande complexidade com ele. Ele causou uma forte impressão em Russell e em G. E. Moore, e começou a trabalhar nas fundações da lógica e da lógica matemática. Russell estava gradativamente mais fatigado com a filosofia, e via em Wittgenstein um sucessor que daria continuidade a seu trabalho. Durante este período, outros interesses de Wittgenstein foram música e viagens, normalmente na companhia de David Pinsent, um estudante que tornou-se seu amigo íntimo.
Em 1913, seu pai morre e Wittgenstein herda uma grande fortuna. Contudo, em pouco tempo Wittgenstein desfaze-se dela, doando - inicialmente anônimamente - boa parte dela para artistas e escritores austríacos, incluindo Rainer Maria Rilke e Georg Trakl. Em 1914 Wittgenstein viajou para visitar Trakl, pois este demonstrara a tempos a vontade de conhecer seu benfeitor, mas Trakl se suicidara dias antes da chegada dele.
Apesar de estar extremamente concentrado em seus estudos em Cambridge e nas conversas com Russell, Wittgenstein sentia que não podia chegar à raiz das questões fundamentais que buscava, enquanto estivesse cercado por outros acadêmicos. Em 1913, partiu para a filosofar solitário em uma cabana remota em Skjolden, Noruega, que era de difícil acesso. O isolamento proporcionou a ele devoção completa a seu trabalho, e posteriormente ele veria este período como o mais produtivo de sua vida. Enquanto estava lá, ele escreveu uma obra inovadora no campo dos fundamentos da lógica, um livro intitulado Logik, que foi o antecessor imediato do Filósofo austríaco considerado um dos mais influentes do século XX [1], contribuiu com inovações nos campos da lógica, filosofia da linguagem e filosofia da mente. Apesar da grande quantidade de seus escritos ter sido publicada após sua morte, em vida publicou apenas um livro filosófico: o Tractatus Logico-Philosophicus, em 1921. Os primeiros trabalhos de Wittgenstein foram marcados pelas idéias de Arthur Schopenhauer, assim como pelos novos sistemas de lógica idealizados por Bertrand Russel e Gottlob Frege. Quando o Tractatus foi publicado, influenciou profundamente os positivistas do Círculo de Viena. Contudo, Wittgenstein não se considerava como parte da escola e alegava que os positivistas lógicos do Círculo de Viena não entenderam o Tractatus.
Wittgenstein planejava com o Tractatus resolver de vez os problemas da filosofia - ou, como alguns dizem, pretendia "matar a filosofia". Acreditando ter cumprido seu objetivo, e - profundamente influenciado pelas idéias cristãs de Leon Tolstoi, as quais Wittgenstein conhecera durante a 1ª Guerra Mundial - abandonou sua vida acadêmica propriamente dita, trabalhando como professor primário em vilas pobres da Áustria e como jardineiro em um mosteiro, além de arquitetar, junto com Paul Engelmann, a planta de uma casa em Viena para uma de suas irmãs. Entretanto, em 1929, ele retorna à Cambridge, conquistando seu doutoramento e passando a se dedicar a uma continuação do Tractatus - que Wittgenstein percebera não ter resolvido de vez os problemas da filosofia -, preparando o que chamou de anti-filosofia, tentando resolver de vez, os problemas da filosofia, e escrevendo as Investigações Filosóficas, que tiveram publicação póstuma, em 1953. Apesar de muitos dividirem o pensamento de Wittgenstein entre o "Wittgenstein Primeiro", do Tractatus, e o "Novo Wittgenstein", dos pensamentos posteriores, isto é uma meia verdade. Apesar de existirem várias concepções diferentes entre seu pensamento posterior ao Tractatus, o próprio Wittgenstein diz no prefácio das Investigações Filosóficas que esta não se trata de uma nova filosofia dele, e sim de um continuação, um complemento de seu pensamento já iniciado no Tractatus, sendo que o primeiro não pode ser compreendido em sua totalidade sem o segundo.
Tanto seus primeiros trabalhos quanto os posteriores foram profundamente influenciados pela filosofia analítica. Antigos estudantes e colegas que adotaram as concepções de Wittgenstein incluem Gilbert Ryle, Friedrich Waismann, Norman Malcom, G. E. M. Anscombe, Rush Rhees, Georg Henrik von Wright e Peter Geach. Filósofos contemporâneos profundamente influenciados por ele incluem Michael Dummett, Peter Hacker, Stanley Cavell, Cora Diamond e James F. Conant. Os últimos três são normalmente associados ao que comumente chamam de "Novo Wittgenstein".
Anne Cauquelin
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein nasceu em Viena em 26 de Abril de 1889, filho de Karl e Leopoldine Wittgenstein. Ele era o mais novo de oito filhos, nascendo em uma das famílias mais ricas do Império Austro-Húngaro. Os seus avós, Hermann Christian e Fanny Wittgenstein eram de família judia, mas se converteram ao Protestantismo, a depois que se mudaram para da Saxônia para Viena no início da segunda metade do século XIX, inseriram-se no ambiente protestante de Viena. O pai de Ludwig, Karl Wittgenstein, tornou-se um industrial proeminente, fazendo fortuna com ferro e aço. A mãe de Ludwig, Leopoldine, também era de ascendência judia pelo lado paterno da família, mas foi educada segundo práticas da Igreja Católica. Ludwig, assim como todos seus irmãos e irmãs, foi batizado como um católico.
Ludwig cresceu em um ambiente doméstico que proporcionava uma vida artística e intelectual bastante intensa. Seus pais eram ambos bastante interessados em música, e todos os seus filhos eram dotados artísticamente e intelectualmente. Karl Wittgenstein fora inclusive um grande "mecenas" e patrono das artes, e diversos artistas e eruditos frequentavam a sua residência — principalmente músicos. A família era constantemente visitada por artistas de renome como Johannes Brahms e Gustav Mahler. Um dos irmãos de Ludwig, Paul Wittgenstein, tornou-se um habilidoso pianista de renome internacional, mesmo após perder a mão direita na 1ª Guerra Mundial. Apesar de Ludwig não ter demonstrado nenhum talento musical, sua devoção e gosto à música permaneceu importante durante toda sua vida — e ele fazia frequentemente metáforas e exemplos relacionados à música em seus escritos filosóficos. Outra característica - um tanto quanto negativa - da família era a tendência à intensa auto-crítica e pessimismo, chegando ao ponto da depressão e mesmo de tendências suicidas. Três de seus quatro irmãos cometeram suicídio.
Até 1903, Ludwig foi educado em casa; após este período, estudou por três anos na Realschule em Linz, uma escola que dava ênfase a disciplinas técnicas. Adolf Hitler foi um estudande desta escola no mesmo período, e os dois, com 14 e 15 anos respectivamente, podem ser vistos em uma fotografia escolar, juntos com outros 40 estudantes. 1. Ludwig se interessava por Física e queria estudar com Ludwig Boltzmann, cuja coleção de escritos populares foram publicados na época (1905). Boltzmann, contudo, cometeu suicídio em 1906.
Em 1906, Wittgenstein inicia seus estudos de Engenharia Mecânica em Berlim, e em 1908 ingressa na Universidade de Manchester para iniciar seu Doutoramento em Engenharia, estando repleto de planos e idéias relacionadas à engenharia aeronautica. Ele se registrou como um estudante pesquisador em um laboratório de engenharia, onde conduziu pesquisas a respeito do comportamento de pipas na atmosfera terrestre, e trabalhou no design de um motor à jato. Durante sua pesquisa em Manchester, tornou-se interessado nos fundamentos da matemática, particularmente depois de ler Princípios da Matemática de Bertrand Russell e Grundgesetze, de Gottlob Frege. No verão de 1911, Wittgenstein visitou Frege, depois de ter se correspondido com ele por algum tempo, e Frege recomendou que ele fosse à Universidade de Cambridge estudar com Russell.
Em Outubro de 1911, Wittgenstein chegou - sem ser anunciado - às classes de Russel no Trinity College, e em pouco tempo estava tendo leituras e discussões filosóficas de grande complexidade com ele. Ele causou uma forte impressão em Russell e em G. E. Moore, e começou a trabalhar nas fundações da lógica e da lógica matemática. Russell estava gradativamente mais fatigado com a filosofia, e via em Wittgenstein um sucessor que daria continuidade a seu trabalho. Durante este período, outros interesses de Wittgenstein foram música e viagens, normalmente na companhia de David Pinsent, um estudante que tornou-se seu amigo íntimo.
Em 1913, seu pai morre e Wittgenstein herda uma grande fortuna. Contudo, em pouco tempo Wittgenstein desfaze-se dela, doando - inicialmente anônimamente - boa parte dela para artistas e escritores austríacos, incluindo Rainer Maria Rilke e Georg Trakl. Em 1914 Wittgenstein viajou para visitar Trakl, pois este demonstrara a tempos a vontade de conhecer seu benfeitor, mas Trakl se suicidara dias antes da chegada dele.
Apesar de estar extremamente concentrado em seus estudos em Cambridge e nas conversas com Russell, Wittgenstein sentia que não podia chegar à raiz das questões fundamentais que buscava, enquanto estivesse cercado por outros acadêmicos. Em 1913, partiu para a filosofar solitário em uma cabana remota em Skjolden, Noruega, que era de difícil acesso. O isolamento proporcionou a ele devoção completa a seu trabalho, e posteriormente ele veria este período como o mais produtivo de sua vida. Enquanto estava lá, ele escreveu uma obra inovadora no campo dos fundamentos da lógica, um livro intitulado Logik, que foi o antecessor imediato do Filósofo austríaco considerado um dos mais influentes do século XX [1], contribuiu com inovações nos campos da lógica, filosofia da linguagem e filosofia da mente. Apesar da grande quantidade de seus escritos ter sido publicada após sua morte, em vida publicou apenas um livro filosófico: o Tractatus Logico-Philosophicus, em 1921. Os primeiros trabalhos de Wittgenstein foram marcados pelas idéias de Arthur Schopenhauer, assim como pelos novos sistemas de lógica idealizados por Bertrand Russel e Gottlob Frege. Quando o Tractatus foi publicado, influenciou profundamente os positivistas do Círculo de Viena. Contudo, Wittgenstein não se considerava como parte da escola e alegava que os positivistas lógicos do Círculo de Viena não entenderam o Tractatus.
Wittgenstein planejava com o Tractatus resolver de vez os problemas da filosofia - ou, como alguns dizem, pretendia "matar a filosofia". Acreditando ter cumprido seu objetivo, e - profundamente influenciado pelas idéias cristãs de Leon Tolstoi, as quais Wittgenstein conhecera durante a 1ª Guerra Mundial - abandonou sua vida acadêmica propriamente dita, trabalhando como professor primário em vilas pobres da Áustria e como jardineiro em um mosteiro, além de arquitetar, junto com Paul Engelmann, a planta de uma casa em Viena para uma de suas irmãs. Entretanto, em 1929, ele retorna à Cambridge, conquistando seu doutoramento e passando a se dedicar a uma continuação do Tractatus - que Wittgenstein percebera não ter resolvido de vez os problemas da filosofia -, preparando o que chamou de anti-filosofia, tentando resolver de vez, os problemas da filosofia, e escrevendo as Investigações Filosóficas, que tiveram publicação póstuma, em 1953. Apesar de muitos dividirem o pensamento de Wittgenstein entre o "Wittgenstein Primeiro", do Tractatus, e o "Novo Wittgenstein", dos pensamentos posteriores, isto é uma meia verdade. Apesar de existirem várias concepções diferentes entre seu pensamento posterior ao Tractatus, o próprio Wittgenstein diz no prefácio das Investigações Filosóficas que esta não se trata de uma nova filosofia dele, e sim de um continuação, um complemento de seu pensamento já iniciado no Tractatus, sendo que o primeiro não pode ser compreendido em sua totalidade sem o segundo.
Tanto seus primeiros trabalhos quanto os posteriores foram profundamente influenciados pela filosofia analítica. Antigos estudantes e colegas que adotaram as concepções de Wittgenstein incluem Gilbert Ryle, Friedrich Waismann, Norman Malcom, G. E. M. Anscombe, Rush Rhees, Georg Henrik von Wright e Peter Geach. Filósofos contemporâneos profundamente influenciados por ele incluem Michael Dummett, Peter Hacker, Stanley Cavell, Cora Diamond e James F. Conant. Os últimos três são normalmente associados ao que comumente chamam de "Novo Wittgenstein".
Anne Cauquelin

Doutora e professora emérita de filosofia da Université de Picardie, na França,Anne Cauquelin é autora de ensaios sobre arte e filosofia, dos quais se destacam Arte contemporânea (Martins) e Aristóteles (Jorge Zahar), e dos romances Potamor e Les prisons de César. É redatora-chefe da revista Revue d’Esthétique e artista plástica.
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