Can Dialectics Break Bricks?

sábado, 16 de junho de 2007

[a03] fluxus

Quando?
Décadas de 60 e 70.

Onde?
Europa, EUA e Japão.

O que?
Contestava o sistema museológico da arte através de performances, happenings, filmes (vídeo arte), música, pintura e de suas publicações (Editora Fluxus Inc). As propostas eram politizadas e de cunho libertário, se aproximando muito dos ideais primeiro sugeridos pelo Dadaísmo e o Construtivismo russo.

Quem?
George Maciunas - originalmente Jurgis Mačiūnas, (Kaunas, 8 de Novembro de 1931 — Boston, 9 de maio de 1978). Artista de origem lituana, que depois migrou para os Estados Unidos.

Como?
O termo ‘Fluxus’ foi originalmente criado, por Maciunas, para ser o título de uma revista que teria com objetivo publicar textos dos artistas da vanguarda, muitos dos quais tiveram seus trabalhos apresentados, entre 1960 e 1961, no estúdio de Yoko Ono e na AG Gallery de Maciunas, ambos em Nova York. Depois passou a designar e caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa durante três anos (1960-1963).

Quem mais?
Al Hansen / Alison Knowles / Allen Bukoff / Arman / Ay-O / Barry McCallion / Beck Hansen / Cairn Hedland / César Baldaccini (César) / Charlotte Moorman / Dick Higgins / Genesis P-Orridge / Geoffrey Hendricks / George Brecht / George Landow / George Maciunas / Giuseppe Chiari / Gustav Metzger / György Ligeti / Henry Flynt / Jackson Mac Low / Joe Jones /
John Cage - John Milton Cage (5 de setembro de 1912 - 12 de agosto de 1992) foi um compositor musical experimentalista e escritor norte-americano. É o compositor da famosa peça 4'33". Foi um dos primeiros a escrever sobre o que ele chamava de música de acaso. /




Jon Hendricks /
Joseph Beuys - (12 de maio de 1921 - 23 de janeiro de 1986) foi um artista alemão que produziu em vários meios e técnicas, incluindo escultura, performance, vídeo e instalação. Ele é considerado um dos mais influentes artistas europeus da segunda metade do século XX./



Ken Friedman / Larry Miller /
Nam June Paik
- (20 de junho de 1932 – 29 de janeiro de 2006) foi um artista sul-coreano. Trabalhou em diversos meios de arte, sendo freqüentemente creditado pela discoberta e criação do meio conhecido como videoarte./



Philip Corner / Philip Krumm / Ray Johnson / Robert Filliou / Ruud Janssen / Shigeko Kubota / Takehisa Kosugi / Vytautas Landsbergis /
Yoko Ono
- Yoko Ono, em japonês 小野 洋子 (Ono Yōko), (Tóquio, 18 de Fevereiro de 1933) é uma cantora e artista vanguardista japonesa, viúva de John Lennon. Suas obras, tanto musicais quanto plásticas e conceituais (onde foi pioneira), são caracterizadas pela provocação, introspecção e pacifismo. [Livro Grapefruit, uma compilação de "instruções de obra de arte"]
E aí?
Tais apresentações destes artistas foram prolongadas tornando-se festivais – Festum Fluxorum – que percorreram várias cidades como Copenhague, Paris, Düsseldorf, Amsterdã e Nice. As performances e happenings realizados pelo grupo, bem como suas publicações, e vídeos tiveram um profundo impacto nas artes das décadas de 60 e 70, a partir de sua postura radical e subversiva na medida em que trabalhava com o efêmero, misturando arte e cotidiano, visando destruir convenções e valorizar a criação coletiva.

Arte Conceitual
Define-se como o movimento artístico moderno ou contemporâneo que defende a superioridade das idéias veiculadas pela obra de arte, deixando os meios usados para criar em lugar secundário.
O artista Sol LeWitt definiu-a como:
Em arte conceitual, a idéia ou conceito é o aspecto mais importante da obra. Quando um artista usa uma forma conceitual de arte, significa que todo o planejamento e decisões são tomadas antecipadamente, sendo a execução um assunto secundário. A ideia torna-se na máquina que origina a arte.
Marcel Duchamp, nas décadas de 1910 e 1920 tinha prenunciado o movimento conceitualista, ao propor vários exemplos de trabalhos que se tornariam o protótipo das obras conceituais, como os readymades, ao desafiar qualquer tipo de categorização, colocando-se mesmo a questão de não serem objetos artísticos.
A arte conceitual recorre frequentemente ao uso de fotografias, mapas e textos escritos (como definições de dicionário). Em alguns casos, como no de Sol Lewitt, Yoko Ono e Lawrence Weiner, reduz-se a um conjunto de instruções escritas que descrevem a obra, sem que esta se realize de fato, dando ênfase à idéia no lugar do artefato. Alguns artistas tentam, também, desta forma, mostrar a sua recusa em produzir objectos de luxo - função geralmente ligada à ideia tradicional de arte.

Performance
Modalidade de artes visuais que apresenta ligações com o teatro e, em algumas situações, com a música.
Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Assim, como geralmente possui um "roteiro" previamente definido, é passível de ser reproduzida fielmente, em outros momentos ou locais. Mas como muitas vezes a performance é realizada para uma platéia restrita ou mesmo ausente, seu conhecimento depende de registros através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos.
Se deu durante a década de 1960, a partir das realizações do grupo Fluxus e, muito especialmente, pelas obras do artista Joseph Beuys. Numa de suas performances, Beuys passou horas sozinho na Galeria Schmela, em Düsseldorf, com o rosto coberto de mel e folhas de ouro, carregando nos braços uma lebre morta, a quem comentava detalhes sobre as obras expostas.
Happening
O termo happening, como categoria artística, foi utilizado pela primeira vez em 1959. Como evento artístico, acontecia em ambientes diversos, geralmente fora de museus e galerias, nunca preparados previamente para esse fim.
Na pop art, artistas como Kaprow e Jim Dine, programavam happennings com o intuito de "tirar a arte das telas e trazê-la para a vida".
Robert Rauschenberg, em Spring Training (do inglês, Treino de Primavera), alugou trinta tartarugas para soltá-las sobre um palco escuro, com lanternas presas nos cascos. Enquanto as tartarugas emitiam luzes em direções aleatórias, o artista perambulava entre elas vestindo calças de jóquei. No final, sobre pernas-de-pau, Rauschenberg jogou água em um balde de gelo seco preso a sua cintura, levantando nuvens de vapor ao seu redor. Ao terminar o happening, o artista afirmou: "As tartarugas foram verdadeiras artistas, não foi?"
O termo Fluxus foi inventado a fim de evidenciar a natureza sempre mutante do grupo e de estabelecer ligações entre suas várias atividades, linguagens, disciplinas, nacionalidades, gêneros, abordagens e profissões. Para Maciunas, o Fluxus era "a fusão de Spike Jones, vaudeville, gag, jogos infantis e Duchamp". A maioria das obras desse grupo informal internacional envolvia a colaboração com outros artistas ou com o espectador, e em breve o Fluxus tornou-se uma comunidade, sempre em expansão, de artistas de várias disciplinas e nacionalidades, trabalhando juntos. Conforme explicou George Brecht (n. 1925): "Para mim, o Fluxus era um grupo de pessoas que se davam bem e que estavam mutuamente interessadas no trabalho e na personalidade de seus participantes".
Como seus contemporâneos, os artistas do Fluxus visavam uma integração mais íntima entre a arte e a vida e uma abordagem mais democrática no sentido de criar, acolher e colecionar arte. Eles eram ativistas anárquicos (como os *futuristas e os *dadaístas tinham sido, antes deles) e radicais utópicos (como os *construtivistas russos).

sobre fluxus
O conceito de "faça você mesmo" permeou a obra do Fluxus, boa parte da qual existiu sob a forma de orientações escritas a serem levadas adiante por outros. Ao longo dos anos 60 e 70 realizaram-se inúmeros festivais, concertos e turnês, bem como surgiram jornais, antologias, filmes, comidas, jogos, lojas, exposições do Fluxus, e até mesmo Fluxdivórcios e Fluxcasamentos. Da mesma maneira que Cage permitia que qualquer som se tornasse música, o Fluxus permitiu que qualquer coisa fosse usada para a arte. Em um manifesto publicado em 1965, Maciunas afirmou a mesma coisa: a tarefa do artista era "demonstrar que qualquer coisa pode ser arte e que qualquer pessoa pode fazê-la".
http://veja.abril.com.br/idade/estacao/veja_recomenda/241203/estilos.html

O Fluxus foi um movimento sem sócios, sem regras, sem Papas como o surrealismo, cada um era Fluxus por si próprio. Define-se numa atitude mais geral, não é nada em particular.
http://www.lxxl.pt/babel/biblioteca/sousa2.html#Fluxus

. O Fluxus foi vanguarda artística que também chegou a realizar experimentos utilizando as correspondências como suporte. Dentre os participantes do Fluxus, temos pessoas como Yoko Ono, Joseph Bueys, Dick Higgins, John Cage, Allan Kaprow e George Maciunas, um dos mentores dos textos mais radicais do Fluxus. Alguns artistas chegaram inclusive a criar selos com suas próprias fotos (The Flux Post), estas peças se tornaram apenas decorativas, já que era necessário incluir selos “verdadeiros” para que o sistema de correspondência aceitasse as cartas.
http://prod.midiaindependente.org/en/blue/2004/07/285003.shtml

Para Agnaldo Farias, curador-consultor do Instituto Tomie Ohtake, o FLUXUS está mais próximo de uma comunidade do que de um movimento artístico. “È, em primeiro lugar, uma rede pluridimencional de encontros; fenômeno sem fronteiras geográficas ou de linguagem que, dentro da mais pura herança Dadaísta, combinando happenings, performances, fotografias, colagens, objetos, concertos musicais e festivais multimidiáticos, alastrou-se nos anos 60, inicialmente na Alemanha, objeto central dessa exposição, e depois pela Europa, chegando até os nossos dias”, explica.
http://www.iberecamargo.org.br/content/revista_nova/reportagem_integra.asp?id=195

A antiarte desestetiza-se, desdefine-se, tornando difícil saber o que é arte e o que é realidade, tendendo ao niilismo ao zerar a própria arte. A antiarte pós-moderna se desestetiza, porque a vida se acha estetizada pelo design, a decoração. Tudo é espetáculo. O importante na antiarte é o gesto, o processo inventivo, não a obra. A antiarte é participação, o público reagindo pelo envolvimento sensorial, corporal. O happening (acontecimento) é a intervenção - preparada ou de surpresa – do artista no cotidiano, não através da obra, mas fazendo da intervenção uma obra. É o máximo da fusão arte/vida, pois utiliza a rua, a galeria, pessoas e objetos que estão na própria realidade pra desencadear um acontecimento criativo. Os membros participantes muitas vezes realizam ações ao mesmo tempo que as documentam. Estes são provocações do público, ampliando a percepção desta em relação ao mundo onde vive. Performance, variedade do happening, atrai atenção para o artista e os materiais usados para chocar o público sob algum aspecto. Procura-se atingir o espectador no seu pensamento, simultaneamente à sua emoção, com a expectativa de despertar nele reações corporais explícitas; tenta-se conquistar o espectador para o espetáculo, dando-lhe a oportunidade de ser parte da obra de arte. O ator exerce o papel de regente de um acontecimento emocional coletivo ao inusitado. Nisto, o ator performático assume, de forma consciente, um risco físico.
O performance foi bastante utilizado e desenvolvido pelos dadaístas, futuristas, situacionistas e o movimento Fluxus.
http://www.helsinki.fi/hum/ibero/xaman/articulos/2003_01/eerola.html

O acaso é importante para nosso desenvolvimento. Na realidade, o acaso não existe. "Eu nunca te encontraria se já não estivesses comigo".(SaintExupery). Uma exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, acenava com um grande cartaz: "Fluxus".Caminhei despreocupadamente em sua direção, sem ter programado com antecedência. À porta, comprei uma camisa com uma enorme seta e a legenda "Fluxus". Afinal, pensei, já vestida com a camisa, o que será "Fluxus"? Lá dentro, meninas vestidas de preto com botas alaranjadas, conduziam grupos, explicando o significado das obras. "Então, qualquer um de nós pode ser artista?" indagou uma senhora, entusiasmada com a idéia. Acompanhei com curiosidade os debates, sem me apresentar. Aquelas idéias me tocavam de perto, lembravam o meu próprio posicionamento sobre a comercialização da arte, os happenings dos anos 60, os domingos de criação que possibilitavam a todos a oportunidade de criar. Quadros não são feitos para combinar com tapetes e cortinas, nem para serem colocados como títulos na bolsa de valores do mercado de arte. A preocupação comercial leva o artista a concessões imperdoáveis, que fazem esquecer a razão de ser da arte como a força vital de uma civilização, para colocá-la no plano de especulação comercial. O valor de um trabalho artístico, suas qualidades expressivas, não se limita a números e cifrões, mas alcança um lugar que lhes assegura realmente a permanência no tempo e sua equiparação com as demais artes.Assim como com a música e a poesia, também o quadro que vemos numa exposição contém toda uma vida de lutas e experiências. Não se podem separar as inquietações da alma humana, seus momentos de sofrimento ou alegria, de violência ou de paz, de revolta ou de submissão daquela forma que espontânea e diretamente lhe sai das mãos.A arte é a mais pura manifestação da liberdade, hoje tão limitada na mecanicidade do mundo moderno. Toda e qualquer forma de imposição, ao atingir o domínio da arte, impede-lhe o progresso e a conduz à mediocridade. O sentido de liberdade é expresso com grande veemência por meio da arte, porque ela se fundamenta e nasce num clima no qual a opressão não tem lugar. Pode-se proibir o homem de falar, mas nunca de sentir. A arte é a expressão do sentimento humano, desse sentimento tantas vezes bloqueado por slogans e rótulos, mas que desperta quando se desenvolve a capacidade de inventar, de renovar, de contatar a essência do próprio Ser. O verdadeiro humanismo brota das mãos dos artistas e da alma dos poetas, dos cineastas, dos escritores, dos músicos, que proclamam espontaneamente a compreensão entre os povos. O humanismo autêntico tem suas raízes no sentimento, e não na razão.Segundo a apresentação da exposição, "o Fluxus nasceu em 1961, a partir da liderança de George Maciunas, tendo como origem a rejeição aos valores e ao meio que cercava as "artes eruditas" e o caráter comercial que dominou o mercado internacional de arte após o fim da Segunda Guerra Mundial.Esse movimento de contracultura abria também uma porta para a aproximação com o zen-budismo e sua valorização.O Budismo zen não é propriamente uma religião, mas um modo de viver espontâneo, direto, criativo. Os conceitos, dogmas e fórmulas são eliminados, para darem lugar à intuição pura.Registro aqui um texto de Thomas Merton sobre a linguagem Zen:"A linguagem utilizada pelo Zen é, portanto, em certo sentido, uma antilinguagem. E a "lógica" do Zen é o inverso radical da lógica filosófica. O dilema humano da comunicação está no fato de que não podemos nos comunicar ordinariamente sem palavras e sinais, mas mesmo a experiência ordinária tende a ser falsificada pelos hábitos de verbalização e racionalização. Os instrumentos convenientes da linguagem nos permitem decidir de antemão o que pensamos que as coisas significam, e constituem uma tentativa para vermos as coisas apenas de um modo que se enquadre em nossos preconceitos lógicos e fórmulas verbais. Em lugar de ver as coisas e os fatos como realmente são, nós os vemos como reflexos e verificações de sentenças que previamente construímos em nossas mentes. Esquecemos com muita rapidez como simplesmente ver as coisas, substituindo nossas palavras e fórmulas de maneira a vermos somente o que se enquadra convenientemente em nossos preconceitos. O Zen utiliza a linguagem contra a própria linguagem, para fazer estourar tais preconceitos e destruir a enganadora "realidade" existente em nossas mentes, para que possamos ver diretamente. O Zen diz, como Wittgenstein dizia: não pense: olhe! Uma vez que a intuição Zen procura despertar uma consciência metafísica para além do ego empírico, que reflete, conhece, fala, essa conscientização deve estar imediatamente presente a si mesma e não sofrer a mediação do conhecimento conceitual, reflexo ou imaginativo."Saí da exposição refletindo mais uma vez sobre a sincronicidade dos movimentos artísticos que, intuitivamente movidos por um impulso energético planetário, buscam a libertação dos condicionamentos e a valorização do agora.(*) Maria Helena Andrés, artista mineira e ex-aluna de Guignard, aprendeu com o mestre a arte de desenhar e pintar. Participou de diversas Bienais Internacionais. Estudiosa do pensamento oriental e da história da arte escreveu vários livros de reflexões sobre a arte desde as suas origens até a contemporaneidade, entre eles: Os Caminhos da Arte, Encontro com os Mestres no Oriente e Vivência e Arte.
Spam Art
Os spammers estão infernizando sua vida? Sua caixa postal anda lotada? Se você acha que o Spam é uma ferramenta só para gananciosos, conheça o Spam Art. Durante a década de 60, explodiam as ações criativas e contestatórias. Inspirados principalmente pelo Fluxus1, a Mail Art ou Arte Postal nos ajuda a entender melhor o fenômeno da Spam Art nos dias atuais. Na Arte Postal eram utilizados os serviços de correios como meio de difundir trabalhos realizados geralmente sobre envelopes e cartões postais, as técnicas eram variadas, mas a fotocópia merece destaque especial, a maquininha era a novidade naquela época e grande parte dos artistas postais a utilizavam como meio rápido de reproduzir seus trabalhos. A Mail Art além de proporcionar uma grande liberdade de criação, também criou uma rede gigantesca de endereços de pessoas de todo mundo interessadas em receber os trabalhos, que não eram vendidos, apenas enviados aos montes, sem a esperança de obter troca. Porém, bastava aguardar alguns dias que os trabalhos de outros integrantes da rede lotavam sua caixinha de correio. Naquela época ninguém estranhava receber cem cartas com o mesmo remetente, os nomes múltiplos eram um conceito criado para combater o individualismo e o estrelismo entre os participantes, desta forma, acreditava-se que a noção de autoria era colocada para escanteio. Isso facilitava a participação de pessoas novas, que não eram artistas a participar desta rede. Até os agentes dos correios chegaram a participar de certa forma, um exemplo interessante foi o trabalho de Ben Vautier2. Seu trabalho intitulado A Escolha do Carteiro (1965), consistia em uma carta comum, que, no entanto possuía dois destinatários, dois lados idênticos e com selos, desta forma ficava a cargo do acaso ou do funcionário dos correios a escolha do destinatário. Com essas táticas os trabalhos deixavam de ser comercializados, perdiam seu lugar religioso nas galerias e se passavam como objetos simples do cotidiano podendo ser manipulados por qualquer pessoa sem nenhum pudor. No Brasil, ainda na década de 60, artistas e escritores como Wlademir Diaz Pino foram um dos primeiros a trabalhar com Arte Postal no Brasil. Mas foi somente na década de 80 que a Mail Art foi totalmente cooptada pelos grandes circuitos da arte oficial no Brasil. Em 1981 a 16a Bienal de São Paulo já montava uma sala especial sobre a Mail Art produzida no mundo. Daí pra frente o que se produziu como Arte Postal aqui não é nem a sombra do que foi as ações mais dos dissidentes do Fluxus, a pouca radicalidade que ainda existia deu lugar a apenas experimentação de suportes, no lugar de telas cartas, no lugar de livros cartões. Dessa forma rapidamente as cartas passaram a ser comercializadas e a rede deixou de ser ponto central da Arte Postal, perdendo completamente sua força contestatória. Apesar de ser quase impossível destacar o elemento fundador da Mail Art, muitos atribuem a figura de Ray Johnson3 como sendo o pai da Mail Art. Os trabalhos de Johnson se espalharam rapidamente pela rede que se formava e também entre os envolvidos com o Fluxus. No começo dos anos 60 Ray utilizou freqüentemente a alcunha de Escola de Correspondência de Nova Iorque. Seus trabalhos chegaram a ter um valor no mercado de Arte, Andy Warhol chegou a dizer que pagaria dez doláres por cada trabalho de Ray. Apesar da internet, hoje, ter deslanchado e de certa forma engolido o antigo sistema de correios, substituindo grande parte das correspondências por e-mails, muitos artistas ainda trabalham com a Mail Art, inclusive no Brasil. Já nos dias atuais, enquanto muitas pessoas arrancam seus cabelos com caixas postais lotadas, e-mails que não abrem mais, outras trabalham formas de espalhar a peste do Spam. Como todo cidadão do planeta que já teve algum contato com o e-mail, nós sabemos muito bem dos males que o Spam tem causado por aí. Contudo, se fosse utilizado de forma consciente e não fosse o seu conteúdo unicamente comercial e enganoso, o Spam seria uma forma bastante eficaz de contactar pessoas de vários pontos do planeta ao mesmo tempo, sem intermediários. Mas então por que não utilizar desses meios tão repugnantes para distribuir trabalhos de arte? Assim questionam alguns grupos, anônimos e artistas que têm utilizado o Spam como forma de burlar o tédio e a comodidade do mundo da arte e ao mesmo tempo redefinindo e subvertendo as idéias inescrupulosas dos malditos Spammers. Diferentemente das empresas que se enriquecem com o Spam, os Spammers “artistas” querem, na maioria das vezes, virar de cabeça para abaixo o capitalismo. Seus trabalhos são inspirados na Mail Art, porém utilizam a distribuição de e-mails em massa, no lugar dos tradicionais correios. Assim como o Spam propriamente dito, ninguém está a salvo da Spam Art. A grande diferença é que no lugar de conteúdos desagradáveis, pode chegar na sua caixa postal colagens digitais, infogravuras, poesias e até hoaxes. E se você ainda der sorte, poderá tirar seu e-mail de uma lista de Spam Art, simplesmente pedindo a exclusão4. Sabe aquelas mensagens de Spam que contém um texto breve, geralmente pedindo sua conta de banco para que um tesouro seja depositado em sua conta? O "Please Do Not Spam Art" é um site muito simples que tem dois formulários, um leva a construção de uma frase por letras (Please Do Not Spam é o padrão) e o outro possibilita criar uma colagem com palavras chaves encontradas mais utilizadas pelos Spammers convencionais. Aí basta colocar um e-mail de um amigo e enviar. Essa é uma forma também conhecida como Poesia Spam ou Spam Poetry. Uma proposta parecida está no site (www.stephendann.com/free_form_spam_poetry.htm) que propõe, também através de colagem, uma fórmula de "cura" para as mensagens que lotam as caixas postais. Copie o título do seu primeiro spam na sua caixa postal, com a linha da segunda, e assim por diante. A Poesia Spam utilizada nesse caso é feita através de um formulário simples, que emite um e-mail por um servidor web. Um dos precursores deste tipo de Spam Art foi Frédéric Madre. Editor da revista eletrônica experimental pleine-peau.com, seu nome sempre esteve ligado a problemas, foi expulso de várias listas de discussões famosas no mundo da net art, como a nettime, por utilizar o Spam como forma de Arte. “O Spam é um termo cheio de controvérsia e traz consigo uma grande quantidade de aspectos negativos. Por isso o escolhi." diz Frédéric numa entrevista cedida pela internet. A Poesia Spam nesses casos funciona não somente como uma forma de divulgar algum trabalho, mas como um desvio de lógica do sistema Spam, uma desinfo que pode iniciar um processo de sabotagem do Spam como ferramenta comercial. Imagine o que podemos fazer com uma empresa como a Gator, responsável por inúmeros Spywares e Spams, por exemplo. No entanto a Poesia Spam também pode ser executada com base na ascii art, formando desenhos, arabescos ou composições orgânicas. Utilizando-se de Hoaxes, termo utilizado na web para designar mensagens que propagam boatos, uma onda mais obscura de artistas como Sintron (www.sintron.org), tem brincado um pouco com o imaginário cyber. Sintron utiliza no seu projeto DOGS uma mensagem falsa que chega na caixa postal avisando que seus dados estão sendo enviados para um computador da suposta empresa Sintron. Aqui a questão de segurança pode ser levantada de forma séria se o Hoax servir para denunciar tentativas de controle da web, como o software Carnivore do FBI, que checa todas as rotas de e-mails por palavras chaves. Nesse caso toda paranóia é pouca. Campanhas para desmoralizar políticos e empresas também têm sido motivo para criar esses Hoaxes que se espalham via Spam5. Para os amantes da ascii art, a Spam Art em conjunto é uma combinação perfeita, o site italiano o-o.it, é um exemplo extremo do que pode ser feito com ascii e o Spam. Primeiro você se cadastra no banco de dados, alguns minutos depois já começa a receber inúmeras mensagens geradas aleatoriamente pelos usuários da página. São mensagens Hoax, imagens abstratas e figurativas, gerando uma combinação visual explosiva. A ação provocada pelo site no e-mail cadastrado é semelhante a uma ação grafiteira, da mais caótica possível, misturando o ascii art com a poesia Spam. Depois se o internauta não quiser mais receber os Spam Art, basta descadastrar no site. Bem, eu testei, descadastrei e tudo correu bem... Enfim, a criação do Spam Art é muito simples, com um programa de envio de mensagens, poucos contatos e ferramentas de edição de imagem, ou mesmo texto puro (ascii art) é possível distribuir pela internet um trabalho que pode se alterar ao longo do tempo. Spam Art e Antiarte Como o fluxo de mensagens é grande, pode ser reenviado e é esteticamente muito variado, a noção de autoria é mais uma vez negada. Torna-se praticamente impossível descobrir com certeza quem criou a obra. Nada de "gênio da arte" ou “cabeça pensante do grupo” aqui essas idéias individualistas e características do capitalismo são substituídas pela idéia de rede aberta e pela criação comum. No lugar disso o plagiarismo e a criação um ser vivo auto-suficiente são os pontos centrais da obra. O que fortalece ainda mais a Spam Art como “arte de guerrilha” ou antiarte é o fato de que a Spam Art não é um produto, pelo menos até que se torne propriedade intelectual (isso ainda não aconteceu), ela continuará a se multiplicar pela rede, de forma aberta e sem virtuais possibilidades de controle. Outra grande sacada da Spam Art é a possibilidade de mutação. Assim como um vírus, a mesma mensagem pode sofrer alterações, mesmo que o autor aceite ou não essas mudanças. Caiu na rede não é mais de ninguém! E é essa negação da propriedade intelectual que muitos net artistas estão levantando e colocando em prática agora de forma tática. A Spam Art também é uma ação efêmera, que pode ser perder na web. A priori não é possível estabelecer uma rota racional por onde o trabalho percorrerá. Como forma de guerrilha antiartística ou não-artística a Spam Art tem grandes vantagens frente as demais tentativas de criar uma proximidade entre arte e a vida, tirando assim a arte do sua plataforma soberana sobre as demais atividades sociais. Mesmo que isso seja uma velha utopia e até certo ponto demasiadamente idealista, a proximidade é óbvia. Na Spam Art o museu não precisa ser negado, ele é simplesmente dispensável, pois o grande barato não está no deleitamento estético, muito menos no fetiche da arte e sim na simplicidade e no intercâmbio de gestos criativos. Quem recebe a Spam Art, também pode simplesmente ignorá-la e tratá-la como um Junk Mail qualquer, a sacrossanta arte começa a ser balançada em seu altar. Ninguém, enfim, recebe uma Spam Art e diz: “Nossa! Isso é arte, vamos respeitar, eu sou um ignorante mesmo...” O único problema continua sendo acreditar que qualquer tipo de arte possa nos conduzir a uma mudança radical de estruturas sociais e econômicas. Salvo essas questões, a Spam Art ainda é uma grande ferramenta de comunicação criativa. E só resta explorá-la! ----------------- 1. O Fluxus foi vanguarda artística que também chegou a realizar experimentos utilizando as correspondências como suporte. Dentre os participantes do Fluxus, temos pessoas como Yoko Ono, Joseph Bueys, Dick Higgins, John Cage, Allan Kaprow e George Maciunas, um dos mentores dos textos mais radicais do Fluxus. Alguns artistas chegaram inclusive a criar selos com suas próprias fotos (The Flux Post), estas peças se tornaram apenas decorativas, já que era necessário incluir selos “verdadeiros” para que o sistema de correspondência aceitasse as cartas. 2. Ben Valtier era um italiano que fazia parte do Fluxus e que logo se integrou aos seguidores da Mail Art. 3. “O mais famoso desconhecido artista de Nova Iorque” foi também considerado um pintor da Pop Arte. 4. Geralmente as listas de Spam Art não configuram Spam, pois permitem a exclusão de e-mails, porém isso nem sempre acontece, vale a pena experimentar alguns sites como o o-o.it, que permite a exclusão da lista. 5. Alguns Spammers vêm sabotando multinacionais e organizações, se passando por elas, utilizando seus e-mails para enviar falsos informativos para milhares de pessoas. ---- Retirado da Revista geek.

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notas sobre a produção de teorias urbanas quaisquer

sobre fazer teoria .Como se conhece .O que é especular ou hipóteses .Como racionalizar .Sobre teoria e prática ou a importância da consideração do fenômeno teórico como histórico presentificável .Quem formula uma teoria sobre o Urbano .Potências [in]disciplinares .Virtualidade e Transdução .Dialética e Gradações: necessidades da realidade .vida cotidiana .Urbanismo .Sobre valores .Festa .[bio]Potência [...]quaisquer?

sobre [panf]letagens [2sem2009]

usar a palavra-chave dada a partir dos seguintes textos como ponto de partida para produção de um construto
01. Kitchen Stories [direção: Bent Hammer] + ABALOS, I. O que é Paisagem = paisagens íntimas
02. KOOLHAAS, R. Cidade Genérica + KOOLHAAS, Rem. Vida na Metrópole ou a Cultura da Congestão = fantasias genéricas / congestão genérica
03. TSCHUMI, B. O Prazer da Arquitetura IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = funcional / inutilidade
04. VIDLER, A. Teoria do Estranhamento Familiar IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = roberto / dessimbolização
05. MAAS, W. FARMAX = leveza
06. NEGRI, A, HARDT, M. Multidão = maria de fátima
07. FLUSSER, V. Design: Obstáculo para a remoção de Obstáculos IN: _______. O Mundo Codificado = reciclagem / sofá
08. GANZ, Louise. Lotes Vagos na Cidade: Proposições para Uso Livre IN: ____ SILVA, B. Lotes Vagos = beleza
09. CRIMP, Douglas. Isto não é um Museu IN: _________. Sobre as Ruínas do Museu = coleção de museu / admiração imparcial
10. WEIZMAN, Eyal. Desruição Inteligente IN: v.v.a.a. 27a Bienal de Arte de São Paulo. Como Viver Junto = infestação / desparedamento
11. Koolhaas Houselife = funcionalidade
12. CORTEZAO, Simone. Paisagens Engarrafadas = paisagismo marcado
13. BRANDAO, Luis Alberto. Mapa Volátil. Imaginário Espacial: Paul Auster IN: _______. Grafias de Identidade. Literatura Contemporânea e Imaginário Nacional = andarilho
14. CANUTO, Frederico. Notas Sobre Ecologias Espaciais = ecossistemas
15. SANTANA, P. A Mercadoria Verde: A natureza = fotografias verdes
16. Central da Periferia = calypso amazônico / brega
17. BECKER, B. Amazônia: mudanças Estruturais e Urbanização IN: GONCALVES, M.F. et al. Regiões e Cidades. Cidades nas Regiões = fotografias verdes
19. Edifício Master. Direção: Eduardo Coutinho + CANUTO, Frederico. Apto[s], 01qrt, 1sl, 1coz, s/vg. =
20. WISNIK, Guilherme. Estado Crítico =

[d] - 1sem2009 = [doc]01 - 1osem2007 = [doc]

Documentário: Documentar os conteúdos ministrados durante a aula do dia, sendo obrigatório entregar no dia posterior, um arquivo digital contendo:
-fotografias/imagens do que foi escrito nas carteiras ou no quadro negro, bem como as discussões em sala de aula;
-outras imagens podem ser colocadas, porém devem ser relacionadas ao conteúdo da aula;
-um texto como o resumo da aula, podendo ou não conter colocações do aluno-autor;
-biografia dos autores citados em sala de aula [pesquisar no curriculo lattes, wikipedia e outros sites]. Na biografia dos autores citados deve, necessariamente, conter os trabalhos mais relevantes, bem como vínculo a escolas de pensamento;
-indicações de sites relacionados aos assuntos trabalhados em sala [mínimo de 05 links];
-notícias relacionadas ao assunto discutido em sala [mínimo de 05 notícias];

[a]02 - 1osem2007

Apresentações Grupo A: Apresentação para a sala de aula dos seguintes temas:[SURREALISMO]+[DADAISMO]+[FLUXUS], segundo os seguintes critérios mínimos: -exposição do pensamento do grupo e diversas correntes internas, através de seus conceitos; -exposição das diversas modalidades: pintura, escultura, arquitetura...; -período e países onde atou; -principais nomes e respectivos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano. Grupo B: Apresentação para a sala dos seguintes temas: [KOOLHAAS01 – Delirous New York+SMLXL]+ [KOOLHAAS02 – Mutations+Project on the City 01+02]+ [KOOLHAAS03 – Content +Reconsidering OMA], segundo os seguintes critérios mínimos: -conceitos; -eviolução de pensamento; -textos e questões trabalhadas; -cronologia dos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano.

[ps]03 - 1osem2007 = [ps]

Paisagens Superabundantes: Texto a ser entregue contendo imagens e textos, a partir dos conceitos operativos definidos diariamente na disciplina Teoria Urbana.