Can Dialectics Break Bricks?

domingo, 24 de junho de 2007

[a04] Rem Koolhaas [fase 01 - SMLXL]

Delirious New York
[livro lançado em 1978]

O novo “êxtase sobre a arquitetura”: a “cultura da congestão” de Manhattan como uma demonstração de uma ligação entre a arquitetura comercial e os programas de efeitos tecnológicos acelerados da vanguarda arquitetônica. O novo “êxtase sobre a arquitetura”.
Seu mais perfeito objeto em Manhattan, o principal território para o neoliberalismo desenvolvimentista, congestão, consumo.
·Metrópole: Em algum lugar do século XIX, algumas partes do globo desenvolveram uma condição sem precedentes: através da simultânea explosão das modernas tecnologias e da população humana em seus limitados territórios, elas se encontram dando base a uma forma mutante de coexistência humana conhecida como metrópoles. A Metrópole invalida todos os sistemas prévios de articulação e diferenciação que tem, tradicionalmente, guiado o planejamento das cidades. A Metrópole anula a história da arquitetura.
·Uma arquitetura com seus próprios teoremas, leis, métodos, avanços e ganhos que permaneceram em grande parte fora do campo de visão da arquitetura oficial e da crítica.
·O crescimento espetacular de Manhattan coincidiu exatamente com a definição do conceito de Metrópole. Manhattan representa a apoteose do ideal de densidade per se, tanto de população como de infra-estrutura; sua arquitetura promove um estado de congestão em todos os níveis possíveis, e explora essa congestão de modo a inspirar e dar suporte a uma particular forma de relacionamento que juntos formam uma singular cultura da congestão.
·Os pontos atrativos da ilha foram sistematicamente substituídos por um novo tipo de maquinário.
·Um substituto superior para a realidade natural que está sendo devorada pela alta densidade de humanos consumidores.


Narrativas
·Elevador: uma invenção-símbolo da condição metropolitana que favoreceu na cultura da congestão e verticalização da cidade.
·Teorema de 1909

-Uma esguia estrutura de aço dá suporte a 84 planos horizontais, todos do tamanho do pavimento original Cada um desses níveis artificiais é tratado como um 'sítio virgem' a fim de estabelecer um domínio privado ao redor de uma casa de campo e seus serviços.
-A vida dentro desse edifício é fragmentada na medida em que não seria concebível a visualização dele como um único cenário: no 82º andar, um macaco pula de volta para o vazio, no 81º, uma casal cosmopolitano levanta vôo. O isolamento privado de cada um dos níveis provados aparentemente contradiz com o fato de que, juntos, eles formam um único edifício.
·100 Story Building: Em 1911, um projeto para um edifício de 100 lojas foi descoberto. Ele incorporou muito dos avanços que, dois anos depois, pareceram inteiramente teóricos. O prédio era uma multiplicação vertical do quarteirão em 100 vezes.
-Downtown Athletic Club:
O clube é o teorema de 1909 tornado real: uma seqüência de plataformas colocadas acima uma das outras, onde cada uma repete as dimensões do lote original, e onde são conectadas entre si por 13 elevadores concentrados na parede norte da estrutura.
Ele é um dos raros edifícios do século XX que é verdadeiramente revolucionário: ele oferece um inventário completo das modificações fundamentais técnicas e psicológicas causadas pela vida na metrópole, e, além disso, separa esse mesmo século dos anteriores. Sua existência permite um espectro de experiências em um único lugar que eram anteriormente impensáveis.




S.M.L.XL
[lançado em 1997]

Exposição intensa do trabalho – e o ambiente de trabalho - do OMA, onde os diagramas de seus projetos são amplamente reproduzidos. De modo geral, são representações gráficas de referências projetuais, informações programáticas – do programa arquitetônico – e características urbanas e sócio-econômicas do território de inserção da obra, meios visuais que evidenciam e condensam dados a serem manipulados em projeto.


Rem Koolhaas, que teve oportunidade de construir na Holanda, onde nasceu, na Inglaterra, onde se formou, nos Estados Unidos, onde morou, e também na França, Japão, Suíça entre outros, pode se considerar um arquiteto com experiência em situações globalizadas de trabalho.
Koolhaas é um dos arquitetos praticantes conscientes da arquitetura globalizada e, realmente, o holandês faz questão de expressar sua posição e suas opiniões sobre como a situação contemporânea afeta sua área de atuação:
Globalização: [p. 367]
1. expande astronomicamente o reino da possibilidade, para melhor ou para pior;
2. esgota exponencialmente a imaginação arquitetônica;
3. enriquece exponencialmente a imaginação arquitetônica;
4. bagunça a cronologia da carreira de arquitetos individuais; estende e/ou encolhe a vida nas prateleiras *;
5. causa, como em antiga colisões de culturas ainda puras, epidemias;
6. modifica radicalmente o discurso arquitetônico, agora uma relação desconfortável entre desconhecimento regional e conhecimento internacional.
A globalização desestabiliza e redefine a maneira como a arquitetura é produzida e o que a arquitetura produz. A arquitetura não é mais uma transação paciente entre quantidades conhecidas que partilham culturas, não é mais uma manipulação de possibilidades estabelecidas, não é mais um julgamento possível em termos racionais de investimento e retorno, não é mais algo que se experimenta pessoalmente – pelo público ou pela crítica. A globalização empresta virtualidades a construções reais, as mantém indigeríveis, para sempre novas.”

Em vários projetos de Koolhaas, encontramos situações e preocupações que se assemelham bastante aos conceitos de Era da Informação, globalização, não-lugares, espaços midiáticos, etc. E neles um novo conceito criado por Koolhaas, Bigness (grandeza, enormidade).
Bigness: [p. 499]
1. Para além de uma certa massa crítica, uma edificação se torna uma Grande Edificação (Big Building). Tal massa não pode mais ser controlada por um único gesto arquitetônico, e nem mesmo por qualquer combinação de gestos arquitetônicos. Esta impossibilidade engatilha a autonomia de suas partes, mas não é o mesmo que fragmentação: as parte permanecem comprometidas com o todo.
2. O elevador – com seu potencial para estabelecer conexões mais mecânicas do que arquitetônicas – e sua família de invenções relacionadas desenham nulidade e vazio ao repertório clássico da arquitetura. Pontos de discussão como composição, escala, proporção, detalhe são agora argumentáveis. A ‘arte’ da arquitetura é inútil na Grandeza.
3. Na Grandeza a distância essência e envelope aumenta a ponto de a fachada não ter mais a capacidade de revelar o que acontece por dentro. A expectativa humanista de ‘honestidade’ está condenada: as arquiteturas de interior e exterior se tornam projetos separados, um lidando com a instabilidade de necessidades programáticas e iconográficas, o outro – agente de desinformação – oferecendo à cidade a estabilidade aparente de um objeto.
Onde a arquitetura revela, a Grandeza desorienta; a Grandeza transforma a cidade de uma soma de certezas para uma acumulação de mistérios. O que você vê não é mais o que você tem.
4. através somente do tamanho, tais construções entram em domínio amoral, acima do bem e do mal. Seu impacto é independente de sua qualidade.
5. juntas, todas essas rupturas – com escala, com composição arquitetônica, com tradição, com transparência, com ética – implicam em uma ruptura final, extremamente radical: a Grandeza não faz mais parte do tecido urbano. Ela existe; no máximo, coexiste. Seu subtexto é dane-se o contexto.”

Biblioteca de Paris
A Grande Biblioteca de Paris, ou TGB, tem por projeto reunir várias bibliotecas públicas espalhadas por Paris em um único imenso complexo. Um grande depósito, físico e simbólico, do conhecimento francês perene.
“A ambição deste projeto é livrar a arquitetura de responsabilidades que ela não pode mais sustentar e explorar essa nova liberdade agressivamente. O que sugere que, liberada de suas antigas obrigações, a função última da arquitetura será a criação de espaços simbólicos que acomodem o persistente desejo de coletividade.”
“Em um momento em que a revolução eletrônica parece prestes a dissolver tudo o que é sólido - a eliminar toda a necessidade de concentração e concretude física – parece absurdo imaginar a suprema e definitiva biblioteca.”
O arquiteto holandês a define como “um bloco sólido de informações, um depósito de todas as formas de memória –livros, cds, microfilmes, computadores, bases de dados”.
“fabricar diferenças, criar interesse, lidar com o tédio aparentemente infinito que existe, inventar.”


Fragmentos


ENTREVISTA
[Jornal de Notícias] Rem Koolhaas é incatalogável?
[Rem Koolhaas] Para o universo da arquitetura talvez eu seja difícil de catalogar, porque tenho muito outros interesses. Originalmente, eu era argumentista. Ainda me considero tanto escritor quanto arquiteto. Nós, na OMA ['Office for Metropolitan Architecture'], já não somos somente arquitetos; criamos outro gabinete, a AMO, que lida com questões políticas, culturais e de identidade contemporânea. Estou constantemente a alargar o espectro daquilo que a arquitetura pode fazer. Acho que isto que faço é muito confuso para o mundo dos arquitetos, mas não é de todo confuso para o resto do mundo. Eles percebem, mas os arquitetos ficam completamente chocados.
[Jornal de Notícias] É capaz de explicar por que razão a Casa da Música pode provocar comoção a quem a visita?
[Rem Koolhaas]Bom, eu sou responsável por isso. Mas não sou responsável por explicar o que é que isso quer dizer [risos]. Acho que isso é uma das coisas terríveis do estado atual da arquitetura: antes fazíamos coisas e ficávamos emocionados. Agora fazemos as coisas e ainda temos que as explicar. Temos que explicar às pessoas aquilo que devem sentir e assegurar-lhes que aquilo que elas estão a sentir é correto. Eu não quero ter nada a ver com isso.

COMENTÁRIO BLOGGER:
Antonio Damásio, Citação livre.
Há duas frases de Koolhaas que me inquietam. Não por serem dele mas porque se mascaram de veracidade. Representam uma deslocação dos objectivos da arquitectura, um recentrar das preocupações sobre o ambiente construído. Não me interessa citá-las agora. São duas ideias que atravessam todas as intervenções, construídas ou não, de Koolhaas. A primeira dá conta da demissão emocional da arquitectura; a segunda prende-se com a negação do fenómeno estético, assumindo-se como um paradoxo, pois gera uma outra estetização, tão válida ou presente como qualquer outra.
[...]
Diz o holandês que as pessoas podem habitar qualquer coisa, ser felizes em qualquer coisa e miseráveis em qualquer coisa. Não deixa de ser verdade, o que não permite uma extrapolação genérica. Koolhaas não acredita na emoção. É uma criatura hiper-racional. Um animal do século XXI, da informação sem limite, das redes digitais, da globalização. Mas não deixa de ser um arquitecto. Que produz espaços que irão dialogar com pessoas. E as pessoas não são hiper-racionais, regem-se pela emoção como bem nos vai tentando explicar António Damásio.


Bibliografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rem_Koolhaas
http://mega.ist.utl.pt/~vvgr/rem.htm
http://www.luxstudium.com.br/artigos/headline.php?n_id=128&u=1%22
http://mega.ist.utl.pt/~ndpr/Ex.5_html/biografia.htm
http://epiderme.blogspot.com/2003/10/da-congesto-disseminao-o-mais-elevado.html
http://oprojecto.blogspot.com/2004_05_01_archive.html
http://pedrasobrepedra.weblog.com.pt/arquivo/189339.html
KOOLHAAS, Rem. “Life in the Metropolis” or “The Culture of Congestion” IN: HAYS, Michael. Architectural Theory since 1968. New York: MIT Press, 2000. (tradução Frederico Canuto). P.320-330.
KOOLHAAS, R. Delirious New York. New York: Monacelli Press.
KOOLHAAS, R, MAU, Bruce. S, M, L, XL. New York: Monacelli Press.

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notas sobre a produção de teorias urbanas quaisquer

sobre fazer teoria .Como se conhece .O que é especular ou hipóteses .Como racionalizar .Sobre teoria e prática ou a importância da consideração do fenômeno teórico como histórico presentificável .Quem formula uma teoria sobre o Urbano .Potências [in]disciplinares .Virtualidade e Transdução .Dialética e Gradações: necessidades da realidade .vida cotidiana .Urbanismo .Sobre valores .Festa .[bio]Potência [...]quaisquer?

sobre [panf]letagens [2sem2009]

usar a palavra-chave dada a partir dos seguintes textos como ponto de partida para produção de um construto
01. Kitchen Stories [direção: Bent Hammer] + ABALOS, I. O que é Paisagem = paisagens íntimas
02. KOOLHAAS, R. Cidade Genérica + KOOLHAAS, Rem. Vida na Metrópole ou a Cultura da Congestão = fantasias genéricas / congestão genérica
03. TSCHUMI, B. O Prazer da Arquitetura IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = funcional / inutilidade
04. VIDLER, A. Teoria do Estranhamento Familiar IN: NESBIT, K. Uma Nova Agenda para a Arquitetura = roberto / dessimbolização
05. MAAS, W. FARMAX = leveza
06. NEGRI, A, HARDT, M. Multidão = maria de fátima
07. FLUSSER, V. Design: Obstáculo para a remoção de Obstáculos IN: _______. O Mundo Codificado = reciclagem / sofá
08. GANZ, Louise. Lotes Vagos na Cidade: Proposições para Uso Livre IN: ____ SILVA, B. Lotes Vagos = beleza
09. CRIMP, Douglas. Isto não é um Museu IN: _________. Sobre as Ruínas do Museu = coleção de museu / admiração imparcial
10. WEIZMAN, Eyal. Desruição Inteligente IN: v.v.a.a. 27a Bienal de Arte de São Paulo. Como Viver Junto = infestação / desparedamento
11. Koolhaas Houselife = funcionalidade
12. CORTEZAO, Simone. Paisagens Engarrafadas = paisagismo marcado
13. BRANDAO, Luis Alberto. Mapa Volátil. Imaginário Espacial: Paul Auster IN: _______. Grafias de Identidade. Literatura Contemporânea e Imaginário Nacional = andarilho
14. CANUTO, Frederico. Notas Sobre Ecologias Espaciais = ecossistemas
15. SANTANA, P. A Mercadoria Verde: A natureza = fotografias verdes
16. Central da Periferia = calypso amazônico / brega
17. BECKER, B. Amazônia: mudanças Estruturais e Urbanização IN: GONCALVES, M.F. et al. Regiões e Cidades. Cidades nas Regiões = fotografias verdes
19. Edifício Master. Direção: Eduardo Coutinho + CANUTO, Frederico. Apto[s], 01qrt, 1sl, 1coz, s/vg. =
20. WISNIK, Guilherme. Estado Crítico =

[d] - 1sem2009 = [doc]01 - 1osem2007 = [doc]

Documentário: Documentar os conteúdos ministrados durante a aula do dia, sendo obrigatório entregar no dia posterior, um arquivo digital contendo:
-fotografias/imagens do que foi escrito nas carteiras ou no quadro negro, bem como as discussões em sala de aula;
-outras imagens podem ser colocadas, porém devem ser relacionadas ao conteúdo da aula;
-um texto como o resumo da aula, podendo ou não conter colocações do aluno-autor;
-biografia dos autores citados em sala de aula [pesquisar no curriculo lattes, wikipedia e outros sites]. Na biografia dos autores citados deve, necessariamente, conter os trabalhos mais relevantes, bem como vínculo a escolas de pensamento;
-indicações de sites relacionados aos assuntos trabalhados em sala [mínimo de 05 links];
-notícias relacionadas ao assunto discutido em sala [mínimo de 05 notícias];

[a]02 - 1osem2007

Apresentações Grupo A: Apresentação para a sala de aula dos seguintes temas:[SURREALISMO]+[DADAISMO]+[FLUXUS], segundo os seguintes critérios mínimos: -exposição do pensamento do grupo e diversas correntes internas, através de seus conceitos; -exposição das diversas modalidades: pintura, escultura, arquitetura...; -período e países onde atou; -principais nomes e respectivos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano. Grupo B: Apresentação para a sala dos seguintes temas: [KOOLHAAS01 – Delirous New York+SMLXL]+ [KOOLHAAS02 – Mutations+Project on the City 01+02]+ [KOOLHAAS03 – Content +Reconsidering OMA], segundo os seguintes critérios mínimos: -conceitos; -eviolução de pensamento; -textos e questões trabalhadas; -cronologia dos trabalhos; -articulação obra-conceitos-ambiente urbano.

[ps]03 - 1osem2007 = [ps]

Paisagens Superabundantes: Texto a ser entregue contendo imagens e textos, a partir dos conceitos operativos definidos diariamente na disciplina Teoria Urbana.